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Bert Hellinger é o fundador da teoria das Constelações Familiares e ao idealizar o estudo sobre o tema, ele observou a existência de três princípios fundamentais existentes no sistema familiar, quais sejam: Pertencer, Ordem e Equilíbrio.

A baixo, o nosso colaborador Marcos Antonio Ferreira de Castro explica de forma simples cada um deles.

1) PERTENCIMENTO – todo aquele que nasceu em determinada família tem o seu lugar e o mesmo direito de pertencer que os demais. Trata-se de uma necessidade primordial que envolve a todos porque ninguém pode ser excluído. Nascer em uma família dá o direito de pertencer a ela. A alma não tolera exclusões, distâncias, ou mesmo esquecimento. Todos devem ser reconhecidos porque todos fazem parte e qualquer exclusão gera graves consequências para o sistema. Necessariamente outros membros irão repetir o comportamento daquele que foi excluído. E por qual razão essa repetição ocorre? A resposta é simples: repetir o comportamento do excluído é um ato de amor! Por conta desta Lealdade Sistêmica verificamos tantas repetições nos sistemas familiares.

A necessidade de pertencer remonta os primórdios. Foi assim que o homo sapiens se destacou das demais espécies. A necessidade de pertencer ao grupo e a cooperação entre os integrantes do grupo garantiu a sobrevivência da espécie. Efetivamente pertencer ao “clã familiar” era questão de vida ou morte.

Imagine que em uma família alguém cometeu suicídio. A próxima geração, até no intuito de proteger, não comenta nada sobre esse fato, tenta escondê-lo e assim acaba por excluir aquele que cometeu tal ato. O que ocorre posteriormente? O sistema é pressionado por conta dessa exclusão até que outro membro, por amor a este sistema e como forma de demonstrar que todos fazem parte, pratica o mesmo ato ou não se permite ser um vencedor na vida.

Tudo isso ocorre por conta de um “grande amor”, uma lealdade invisível ao sistema de origem que não caminha para a solução; ao contrário, acaba por perpetuar a dor. Quando repete o comportamento, a pessoa está dizendo internamente: “por te amar e porque você também faz parte, eu faço exatamente como você. Eu vejo o quanto foi difícil e faço o mesmo, assim você permanece com um lugar de honra em meu coração. Você estará sempre entre nós”.

Mesmo que ninguém tivesse falado sobre suicídio na família, a mesma dor voltou neste sistema. Existe uma consciência maior que envolve a todos e que, como dito, não admite qualquer tipo de exclusão. Qual seria neste caso a conduta que tem chances de trazer a cura, a paz, a reconciliação? Aqueles que permanecem precisam “olhar” para todos do sistema e dizer: “eu vejo vocês e dou um lugar a todos em meu coração. O que vocês fizeram, ao preço que custou para vocês, não foi em vão. Todos vocês, assim como eu, fazemos parte e temos um lugar. Obrigado!”

Essa consciência que nos vincula à família ou a determinados grupos no decorrer da vida, como dito, está ligada à própria ideia de sobrevivência. Sentimo-nos pertencentes quando agimos exatamente de acordo com as regras do grupo. E estamos ameaçados quanto ao vínculo quando nos desviamos das condições estabelecidas pelo grupo. Em outras palavras, sentimo-nos inocentes quando atuamos em consonância com o modelo do grupo. E, de outro norte, experimentamos a culpa se nos desviamos dos padrões que atuam nesse grupo.

É um grande desafio desbordar das normas do grupo e ao mesmo tempo continuar pertencendo. Mas essa postura de buscar novos horizontes também é responsável pelo crescimento e evolução. Logo, é possível ter êxito em fazer algo diferente, desde que permaneça o olhar respeitoso entre todos. Com humildade e em honra a todos os que pertencem recebo a permissão para fazer algo diferente. E todo o sistema cresce!

 

 

2)   HIERARQUIA – existe uma ordem em todo o sistema, seja familiar ou organizacional. Aquele que veio antes tem precedência e cada um tem a sua própria função. É o tempo (critério cronológico) que define a prioridade nos vínculos construídos ao longo da vida. Isso quer dizer que os antecessores têm precedência sobre os sucessores. Trago um exemplo para ilustrar: o relacionamento do casal tem precedência sobre a relação com os filhos. Os pais ingressaram antes no sistema e por isso sempre serão considerados grandes em relação aos filhos, pois os filhos recebem aquilo que ambos os pais tomaram entre si como casal. É o respeito à ordem. Depois também entre os filhos existe uma ordem de precedência e cada um exerce uma função dentro do sistema. Certamente haverá conflito quando, por exemplo, um filho mais novo deseja ocupar o lugar do filho mais velho. Ademais, será muito difícil para este filho realizar a sua tarefa porque ele não está no seu lugar de força!   

A Constelação Familiar mostra que existe uma ordem prévia e que deve ser respeitada, porquanto ela determina o seu papel dentro do sistema. Os relacionamentos humanos têm grande chance de êxito quando em sintonia com esta ordem que a tudo abarca e precede. Portanto, só o amor não basta. É necessário estar em concordância com esta Ordem.

Bert Hellinger discorre sobre a ordem em um poema:

 

O amor preenche o que a ordem abarca.

O amor é a água, a ordem é o jarro.

A ordem reúne,

o amor flui.

Ordem e amor atuam juntos.

Como uma linda canção obedece às harmonias,

o amor obedece à ordem.

E, como é difícil para o ouvido acostumar-se

às dissonâncias, mesmo que sejam explicadas,

é difícil para a alma acostumar-se ao amor sem ordem.

Alguns tratam essa ordem

como se ela fosse uma opinião

que eles podem ter ou mudar à vontade.

Contudo, ela nos é preestabelecida.

Ela atua, mesmo que não a entendamos.

Não é inventada, mas descoberta.

Nós a depreendemos,

como ao sentido e à alma, por seus efeitos.[1]

 

 

3)   EQUILÍBRIO – aqui falamos de equilíbrio entre aqueles que estão em uma mesma linha de hierarquia, por exemplo, membros da mesma geração do sistema familiar. Isso porque entre pais e filhos a dinâmica é distinta. Os pais são aqueles que nos deram a vida. E isso é grande e valioso. A compensação que os filhos podem oferecer é seguir em frente, repassar essa grandeza adiante, seja construindo sua própria família, gerando seus filhos, seja realizando-se profissionalmente.

Entre os cônjuges não há hierarquia, pois ambos chegam juntos no sistema. Esta relação, para ser bem sucedida, há de respeitar o equilíbrio entre o dar e o tomar/receber. O respeito ao equilíbrio traz harmonia. No campo da área jurídica falamos de um verdadeiro sistema de “checks and balances”, de pesos e contrapesos, que se ajustam por intermédio de uma justa compensação e que experimentam a paz quando o dar e o receber  apresentam-se de maneira equivalentes. A “chave” está na maneira de como essa compensação é realizada.

Imagine que um dos cônjuges faz uma surpresa ao outro que lhe causa grande alegria. O cônjuge que recebeu este presente fica pressionado a também fazer algo. E assim o faz. E quando vai compensar, faz algo ainda maior, que transfere a “pressão” ao outro cônjuge para continuar essa cadeia de “compensação positiva”. Assim o relacionamento cresce! E quando algum deles faz algo que causa dor ao outro? Também nesta dinâmica a compensação é medida que se impõe. Porém, ao invés de fazer algo ainda mais cruel, o cônjuge faz um “mal menor” e que equilibra a relação. Os relacionamentos permeiam neste equilíbrio entre “créditos” e “débitos”.

As compensações que surgem por conta da transgressão dessas leis apresentam-se de forma bastante variada: desmotivação, depressão, doenças sem causa aparente, fracasso na vida profissional, problemas nos relacionamentos, sentimentos de culpa, vingança, rancor, dentre tantos outros sintomas. Com as Constelações Familiares é possível chegar à origem do problema e, desse modo, a pessoa conquista, por si mesma, sua liberdade e dignidade; toma para si apenas aquilo que lhe pertence e se propõe ao passo seguinte a caminho do êxito pessoal e profissional.

 

[1] HELLINGER, Bert. No centro sentimos leveza: conferências e histórias. 2. ed. Trad. Newton de Araujo Queiroz. São Paulo: Cultrix, 2006, p. 89.

Quer saber mais sobre as Constelações Familiares? Lei os nossos artigos.