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Reflexões a partir do campo das constelações.

Por Aline Pongelupi.


Quando algo acontece e vários presenciam o mesmo fato, existem várias versões dele. Cada um que conta uma história, deixa um pouco de si. E o contador toca particularmente os que tem a mesma visão de vida, aquele que “fala a sua língua”.


Naquele dia, após ter visto algumas constelações, tinha participado de uma, sabia que era real. Não entendia absolutamente nada sobre o assunto, não sabia como as “forças” atuavam, não compreendia o fenômeno. Atribuí momentaneamente a espíritos, energia, física quântica, queria respostas.


Chamada pela Consteladora por último, ela explicou que tudo precisava seguir uma ordem, e como eu havia me inscrito por último, seria a última, Ok pra mim. Diferente de todas as outras constelações onde as pessoas representadas faziam algo específico ou se preocupavam com questões pontuais. Eu, fiquei zanzando de um lugar para o outro. Sinceramente não entendi minha representante, achei que de alguma forma ela ainda não havia se “conectado a mim”.


Diante daquela cena, minha Consteladora me disse: “tá vendo vc? Andando de um lugar para o outro? Você está perdida!” Aquilo provavelmente deveria ter me tocado. Ocorreram outras cenas em minha constelação que me identifiquei completamente, mas não aquilo.

Sempre fui focada, determinada, decidida. Quando decido algo dou o meu máximo, e vou até onde entendo que devo, não sou “cabeça dura”. Faço trabalhos assistenciais, sou advogada, mãe, esposa, filha e tenho muito orgulho de tudo aquilo que conquistei.


“PERDIDA?”


Logo depois que fiz essa constelação, minha única, fui convidada a estudar. Alguém enviada pelos anjos, quis me dar uma mãozinha. E aqui estou eu analisando toda a grandeza da vida.


Em uma jornada de constelação no fim de semana, perguntei sobre minha vontade de movimento, mudança para outras cidades, países. Será que meus antepassados haviam se mudado muito? Tenho tanta vontade de conquistar outros mundos. Foi aí que meu Mestre me fez duas afirmações que me transformaram. A primeira foi: “quem deseja conquistar outros mundos tem a mãe e o pai em um lugar bem especial no coração”. Eu sabia que era verdade, na hora meu coração disse SIM.


Estudando um pouco descobri a importância de se reconhecer pai e mãe. Bert Hellinger em Um lugar para os excluídos trata desse assunto de forma tão simples e amorosa que transcrevo aqui um trecho a mim tocante: “Tudo o que aconteceu em minha infância eu aceito agora – inclusive que meus pais não tenham visto alguma coisa, que tenham cometido erros ou que algo de insano tenha acontecido. Tudo isso faz parte. Na medida em que me defronto com esse monte de desafios e também com o sofrimento, a dor e a necessidade de me afirmar, na medida em que aceito e assumo isso, eu cresço”. E é assim mesmo que me sinto. Respeito minha mãe e meu pai. Me reconheço neles. E quando falo em respeito digo o respeito em sentido amplo. Respeito seus erros, suas decisões equivocadas, suas atitudes impensadas. Respeito seus erros, reconheço que não são perfeitos. Quando respeitamos apenas o que concordamos em alguém é muito fácil. Precisamos respeitar o “pacote completo”. Agradeço à eles por terem sido como foram na minha educação, porque tenho tanto orgulho de mim, e se sou quem sou é por causa deles.

Voltando a minha jornada do fim de semana meu Mestre me fez a segunda afirmação: “quem deseja conquistar outros mundos está À PROCURA de algo”. Sabe aquele PLIN? Eu quase pude ver uma luz se acendendo. Eu estou à procura! Foi isso que minha representante (na única Constelação que fiz) estava fazendo anos atrás. Minha Consteladora à época interpretou como alguém que estivesse perdida, e isso nunca me fez sentido.


Estava alí a questão: EU PROCURAVA.


Quando cinco pessoas são testemunhas de um crime, e temos a oportunidade de ler seus depoimentos vemos que cada uma prestou atenção em um fato. Um se atentou para a roupa do assassino; outro para o galo que cantou quando o assassino entrou ao recinto; outro para a cara que o assassino fez quando matou. E mais, a interpretação pelas testemunhas do crime tem muitos lados: um entende que a vítima provocou, o outro que não, o outro que o assassino não teve escolha sendo quase uma legítima defesa.


A constelação é um meio que ajuda a nos encontrar, mas apesar de as vezes parecer claro, sua interpretação só cabe a quem “fala sua língua”. O Constelador é um contador de história que narra conforme com sua vida. Como pode falar de amor quem nunca amou? Ou de liberdade quem nunca foi livre? Ou de esperança quem nunca esperou? Ou de BUSCA quem nunca BUSCOU? Ou de PROCURA quem nunca PROCUROU?


Quem procura/busca, não está perdido, na verdade OS BUSCADORES fazem um movimento evolutivo dentro do campo da família a que pertence. Bert Hellinger afirma que "quando, em uma família, surge um buscador, é porque este encarna o desejo de todo o clã de sair das repetições e do conhecido e ir adiante".


O buscador é alguém que “rompe” com as tradições, conceitos, forma de vida da família e segue um movimento em busca do novo. A inquietação normalmente está presente nessas pessoas que tem consigo um sentimento dos antepassados.


BUSCADORA ou PERDIDA são conceitos próximos percebidos por diferentes pontos de vistas. Por romper com o passado e estar em movimento posso ser vista como perdida, sem um objetivo claro ou padrões esperados de comportamento. Por outros olhos posso ser uma esperança de crescimento e ascensão para mim e para todos que represento.

De qualquer forma agora tudo faz sentido, sempre estive à serviço, mesmo sem saber antes à que serviço. Me doar e contribuir com todos aqueles que permitiram que eu estivesse aqui é mais que uma obrigação é um privilégio!


Aline Pongelupi Nóbrega Borges. Advogada, Administradora Judicial em Processos de Recuperação Judicial, Estudante de Constelações Familiares.

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