A jornada do ser humano na Terra

Por Renata Pinotti Alves


O que é para um ser chegar na Terra pela primeira vez? Ah, o país das maravilhas.


Os sentidos são aguçados imediatamente pela sensação do vento na pele, pelo perfume das flores e da relva molhada, pelo sabor das suculentas frutas e dos demais alimentos, pelo som dos pássaros e do movimento das águas, pela infinidade de cores e formas belas que vê.


Logo ao chegar, Lilith vem ao seu encontro e lhe apresenta a energia sexual. A grandiosa força pela qual a humanidade irá procriar e povoar a Terra.


Apesar do homem e da mulher conterem os aspectos feminino e masculino em si; na representação da polaridade um espelha a contraparte do outro.


Por representar a Terra, o aspecto feminino da criação, Lilith inicia primeiro a mulher, para que ela mostre o caminho ao homem, uma vez que seu útero é um fractal do universo. O homem representa o princípio masculino da criação, é o dedo que toca o dedo de Deus e traz a semente para dentro da terra, úmida, escura e fértil, o ventre da mulher, que irá nutrir a nova semente e oferecer as condições para que ela possa crescer e nascer.


Essa força é imensamente poderosa e fica descontrolada quando o indivíduo é dominado por suas paixões.


O que é pecado? Em hebraico a palavra pecado é chattat, que significa errar o alvo, mudar de direção. Em grego é amartía = sair da rota; em latim é peccare: “fazer passo em falso, perder o pé, cair. Ou seja, “pecado significa sair do caminho”.


Qual caminho? O caminho até Deus.


Que Deus? Esse é o ponto.


Dominado pelos sentidos, emoções e instintos, a paixão se torna seu deus. Quando o homem passa a servir o deus da paixão ele sai do caminho e morre afogado nas águas de suas emoções. Torna-se cego, surdo e desconectado da força da criação – de Deus.


Distraído, prende-se às projeções holográficas de sua mente por éons de tempo. Distanciado da realidade, cai em sono profundo.


Perdido no labirinto, o homem é movido pela alma a cair no buraco do coelho e adentrar o profundo e oculto que o constituí. A busca, ainda inconsciente e desorientada, almeja encontrar novamente o centro, a sua origem.


As tragédias humanas são como efeito borboleta de atos inconscientes movidos pelas paixões, pelo ego. Elas atuam como despertadores e ajudam a acordar o indivíduo do sono e do sonho que julgava ser a realidade.


Com o passar dos anos e das encarnações, através da lapidação proporcionada pela experiência, o ser humano vai aprendendo a domar a energia sexual, os seus instintos e sentidos. A domar seu dragão interno.


- Aprende a ser paciente consigo e com os outros ao reconhecer que a imperfeição faz parte da natureza humana. Assume a força da sua vontade; sabe dizer NÃO ao que é contrário ao seu caminho com firmeza de caráter, sem ser dominado pela ira e sem servir ao deus do ódio;

- Aprende a se doar de forma abnegada, sem nada exigir do outro. Permite que o amor flua a partir de seu coração, assume sua força e potência sem ser dominado pelo orgulho;


- Aprende a ser sua versão mais luminosa e resplandecer a beleza pura do seu coração, com humildade, sem ser seduzido pela própria imagem e sem ser dominado pela vaidade;


- Aprende a mergulhar em suas profundezas, olhar para suas faltas; transforma-se em seu próprio alimento e reconhece que é o principal responsável por seu sucesso. Assume o seu lugar e o seu caminho. A gratidão por tudo ascende em seu coração e aprende, assim, a admirar e se felicitar com a conquista alheia sem ser tragado pela inveja;


- Aprende a se conectar com a abundância generosa do universo, reconhece que ela está disponível para todos e é um direito de todos. Confia que nada irá te faltar e deixa de ser dominado pela avareza;


- Aprende que a vulnerabilidade é a força que engrandece o ser, pois o humaniza. Reconhece que todo ser humano é semelhante, passível das mesmas dores e não teme mais que descubram suas fraquezas e fracassos. Deixa todo pensamento de ataque, encontra o perdão para todas as culpas e, assim, deixa de ser dominado pelo deus do medo.


- Aprende a saborear o gosto dos alimentos, permite-se sentir prazer e gozar a vida em plena alegria de estar vivo na Terra. Descobre que não é o muito que sacia e sim o suficiente. Encontra no contentamento a real saciedade, sem ser dominado pela gula;


- Aprende a entregar-se por inteiro à sua contraparte. Rende-se ao mistério, ao não sei. Como um rio que caminha em direção ao mar, treme de medo de deixar de ser quem é ao entrar no desconhecido. Assume a coragem, dá um passo diante do medo, age com o coração e VAI. O mar se abre, o rio se entrega à sua imensidão e eles se permitem aMAR. O encontro das águas escoa todas as “má aguas”. Através desse encontro, homem e mulher experienciam a UNIDADE na multiplicidade. A unidade com o outro permite o encontro da unidade dentro de si. Eu inferior ascende ao eu superior, cada um encontra Deus dentro de si, encarna o divino da Terra e reconhece que é na união com o outro que se encontra DEUS – DEUS, um conjunto de EUs. Ao se permitir amar e ser amado, o ser humano doma a energia sexual sem ser dominado pela luxúria.


- Aprende, através das múltiplas encarnações e incontáveis experiencias de nascer e morrer, que a morte é apenas um portal entre dimensões, que não existe fim da vida. Assim, deixa de ser dominado pelo medo da morte, entrega-se por inteiro à alegria vibrante de estar vivo, aqui e agora, nesse lugar e no momento presente.


Ao final, aprende a descansar o repouso dos justos, entrega-se ao vazio da criação, sem ser dominado pela preguiça.


O caminho do homem na Terra é uma escada evolutiva que proporciona sua alquímica transmutação, do estado de chumbo ao ouro.


Após acessar essa consciência ele não deixa sua condição humana e nem se torna imune aos sentidos e emoções. Ele se transforma em um ser consciente, que o significado de vigiar e orar, ajusta sua frequência e suas ações dia a dia. Desfruta o prazer dos sentidos sem ser dominado por eles, sabe da condição de cada um aqui; confia nos demais habitantes do planeta sem ser ingênuo e negligente aos seus instintos de sobrevivência.


Com respeito às leis que regem à Terra e ao tempo evolutivo de cada ser que aqui vive, a partir desse lugar, o homem caminha sobre a Terra em comunhão com Deus - céu e Terra unidos dentro de si.


Ele segue em seu caminho, o pecado se desfaz e o paraíso é aqui.