“A mãe até que vai, mas o Pai não convence”

Por Marcos Castro.


Essa foi a afirmação trazida por uma participante em um dos workshops que realizamos pela Rede de Proteção à Vida.


A “Rede” se trata de um grupo multidisciplinar de profissionais ligados à saúde mental, espiritual e física, cujo objetivo é a valorização da vida, notadamente na prevenção do suicídio. E a Constelação Familiar, ciência que se coloca a serviço da vida e dos relacionamentos humanos, tem cada vez mais revelado um alcance bastante efetivo àqueles que necessitam desse auxílio. Os encontros de Constelação Familiar na cidade de Botucatu acontecem sempre na primeira segunda-feira do mês e são gratuitos.


Vou procurar fazer este relato de forma resumida, atento ao essencial.


Uma das participantes fez uma pergunta que claramente evidenciava um movimento de amor interrompido em relação à mãe e ao pai. E nesse momento fizemos uma dinâmica no intuito de demonstrar a importância desse primeiro “movimento de vida” para os relacionamentos subsequentes.


Ela teve a oportunidade de olhar para os seus pais, a partir de uma nova experiência. Olhar sem expectativas, sem julgamentos e reconhecê-los, também, como uma mulher e um homem comum, que se encontraram, se amaram, e em algum momento, através desse “sim” recíproco, uma nova vida pôde brotar. A participante havia vivenciado uma situação bastante difícil com os pais, e isso ficou claro na dinâmica. Ainda assim, após algum tempo conseguiu se reaproximar dos pais e, ao final, agradecê-los, especialmente por aquilo que esperava receber e, em sua avaliação, não tinha recebido.


Quanta grandeza há nesse movimento em agradecer por aquilo que não tivemos de nossos pais! Como adultos, através dessa postura, liberamos nossos pais de nossas expectativas e deixamos o estado de “crianças abandonadas e carentes”. É assim que nos tornamos definitivamente adultos. E desse modo não será mais necessário buscar pai e mãe nos parceiros.


Engana-se aquele que pensa que o crescimento se dá única e exclusivamente com a nutrição dos pais. Os desafios, as resistências que chegam até nós também representam um verdadeiro trampolim ao nosso crescimento, evolução e amadurecimento. E fica bem mais fácil seguir adiante quando, ao liberar os pais de nossas expectativas, também abrimos o nosso coração e tomamos a vida que chegou até nós por intermédio deles. Esse é o nosso maior presente, fruto de um grande amor, impulsionado por uma Força Superior. Uma criança é sempre fruto do amor! Quando nos despimos de nossos julgamentos quanto à maneira da concepção, porque em determinadas situações constatamos destinos difíceis, o que resta é o amor, a vida em sua plenitude! A “grande obra” da criação!


A mamãe contribuiu com 100% do que possuía para que a vida fosse transmitida adiante, tal como o papai. E nesse sentido podemos dizer que somos 100% mamãe e 100% papai. Matematicamente a conta “não fecha”, mas quem disse que a alma segue essa razão?


Experimente você também dizer: “Mamãe eu sou 100% você. Papai eu sou 100% você”.


Quando expressamos que “somos” a mamãe e o papai os recebemos sem quaisquer reservas. Não recebemos apenas 50% de cada um, mas recebemos tudo! E uma grande força invade a alma e se alegra! Fizemos essa experiência com nossos filhos. Ao dizer isso não havia mais motivo para escolher com quem se parecem mais, se com a mamãe ou com o papai, afinal, sentiram nas células do corpo que são 100% ambos os pais.


Após essa dinâmica no workshop, uma das participantes levantou a mão e questionou: “com a mãe até que vai, mas essa história com o pai não me convence”. Claro que ela tinha sérias questões com o pai. Apenas perguntei se ela gostaria de olhar para isso, quando ela me respondeu afirmativamente.


Iniciamos uma constelação. Uma pessoa foi convidada para representar o pai e a própria pessoa que apresentou a questão ficou de frente, a uma certa distância de seu pai. Um movimento simples, porém, bastante exigente para ela: “olhar para o pai”. E esperamos. O que mostrou? Toda aquela raiva tinha um contexto bem diferente na alma. Em um nível mais profundo ela dizia: “querido papai, como senti a sua falta. Que saudade”! E aos poucos se entregou nos braços do pai.


O que muda com essa nova postura? Muda tudo!


A filha, ao tomar o pai em seu coração, também abre espaço para amar os homens, da forma como são.


Quando apresentou a questão disse: a mãe “até que vai”. Quando você escuta isso, o que sente? Fica claro que aí também existe algo que necessita ser olhado. Em uma próxima oportunidade farei esse relato porque também foi um lindo movimento.

Veja que uma Constelação traz uma verdadeira ressignificação da história e nosso corpo, que nunca mente e se mantém no presente, sente os efeitos e se reprograma de acordo com a nova informação. Eis a razão pela qual a Constelação Familiar tem se mostrado tão profunda e eficaz. Essa nova imagem é armazenada no corpo e atua durante muito tempo.


Pessoalmente tenho uma convicção: a Constelação nos mostra aquilo que somos capazes de suportar e nos dá a força para seguir adiante, por nós mesmos.


Sim, é preciso coragem!

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