A MÃE QUE MAIS FERE A FILHA É A MÃE IDEALIZADA

Por Larisse Dias Pedrosa.


Atualmente, falamos do benefício de sermos mulheres imperfeitas, cada uma com a sua história e no seu lugar na vida, porém admitimos pouco sermos de forma real, imperfeitas.


Pequenos detalhes levam as mulheres a se incomodarem, pois elas não gostam de errar, serem criticadas e assumirem a própria imperfeição de forma leve e livre.


As mulheres não gostam de ver as suas imagens “feias” publicadas nas redes sociais, por exemplo.


É preciso que elas vivenciem o quanto se cobram em suas imperfeições e procuram corresponder diariamente às exigências sociais: serem eternamente jovens, terem o corpo perfeito, a mente saudável, as emoções equilibradas, serem bem casadas, realizadas profissionalmente e financeiramente e, ao mesmo tempo, serem mães cuidadosas para as filhas e filhas agradecidas para os pais.


Nos tempos atuais, muitas mulheres ainda não olharam para a própria insuficiência e essa postura reflete em suas variadas funções.


Uma mãe que é muito exigente com a filha também é muito exigente com ela.


Ela não consegue dizer: “filha, você do seu jeito, é suficiente para mim”.

A filha que não suporta a mãe real, consciente ou inconscientemente, se cobra como mulher “perfeita”.


Ao contrário do que imaginamos, a mãe real é a que menos fere, pois esta é a que acalma a ânsia da filha de procurar ocultamente por ela.


Muitas mulheres chegam no consultório carregando uma profunda dor com relação às mães, pois sentem que já fizeram de tudo para receberem reconhecimento como filhas ou mesmo sentem-se “culpadas” ou “confusas” por desejarem o afastamento delas.


A mãe difícil é muito pesada para a filha, pois representa a sua dor como mulher.


As queixas traduzem a distância que as próprias mães colocam entre elas, pois além das exigências, controles, críticas, indiferenças, rejeições e resistências, muitas mães se apresentam como vítimas dessa relação, necessitadas de cuidados que dificultam a transformação da filha como mulher.


Essas filhas têm dificuldades de seguirem a própria vida e concordarem (sem culpa) com o destino difícil das mães.


O perfil desta mãe é variado, mas as queixas da filha são as mesmas:

· “Minha mãe não me ama”;

· “Minha mãe não reconhece os meus valores”;

· “Minha mãe não agradece o que faço por ela”;

· “Minha mãe não me incentiva”;

· “Minha mãe nunca me deu carinho”;

· “Minha mãe me deixou”;

· “Minha mãe não deixa eu ter a minha própria vida”.


A filha da mãe difícil geralmente torna-se uma mulher muito forte, porém o grande desafio é ser forte na parte boa da vida.


Muitas vezes, a sua força está na depressão, nos fracassos, nas doenças, nas variadas formas de solidão, nas decepções, nos vícios, nos abusos, nos medos e inseguranças, nos jogos de poder e etc.


É importante que a filha saiba que a mãe que se sente ferida como filha, mostra a dor pela mãe e por ela mesma, no conflito com a própria filha.


É uma realidade que exige da filha a concordância, pois quando ela idealiza a mãe, transfere essa idealização para si mesma, através de uma “perfeição” que nunca chega para ela como mulher.


A filha quando toma consciência do seu lugar na vida da mãe difícil, sabe se respeitar como mulher e conviver com o limite saudável entre elas.


Se comportar como a mãe da mãe é um caminho que provavelmente todas nós filhas conhecemos, pois sob nossos olhares, “ou nossas mães precisaram de nós ou nossas mães se afastaram de nós”.


Sophie Hellinger nos mostra que o grande desafio da filha é tomar a mãe como ela é, não tomando partido ou julgando a sua realidade, e ter compaixão por sua história de vida.


Essa filha se curva ao destino da mãe real e segue o próprio destino em paz.


Esse é o grande desafio para nós filhas reais!


Larisse Dias Pedrosa


Idealizadora do Projeto: Um caminho que leva a cura da mulher: Mães e Filhas


🌷#projetomãesefilhas

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