A missão.

Por Sami Storch.


O que aprendi a respeito da missão. Experiência minha. Somos chamados (vocação) à missão por um emaranhamento sistêmico. Queremos salvar ou curar alguém (a mãe, o pai ou outro antepassado), ou ainda ajudar a colocar em ordem algo que não foi respeitado no passado familiar. Daí nos tornamos médicos, terapeutas, professores, advogados, juízes. Mas, enquanto estivermos emaranhados, estamos limitados no potencial de ajudar, pois só enxergamos do lugar do emaranhamento, onde estamos – a identificação com o antepassado com o qual estamos conectados. Adquirimos muito conhecimento, estudamos, treinamos, mas quem está emaranhado no passado de seu próprio sistema não consegue ajudar além do limite que encontra em seu emaranhamento.

Só quando nos libertamos do emaranhamento e podemos nos colocar no nosso próprio lugar, enxergando todo o sistema, reconhecendo o lugar de cada um, podemos também reconhecer o quanto aprendemos com aquilo tudo (e a força que desenvolvemos graças, justamente, às dificuldades). E então podemos ajudar os outros, olhando também pra todo o seu sistema, sem julgamentos ou identificações – temos então uma empatia sistêmica.

Assim, cumprimos nossa missão.


Quem está emaranhado pode ser um terapeuta dedicado, um advogado combativo, pode ganhar causas… por ter vocação. Mas, sem perceber, ele reforça o padrão do cliente – de vítima, de revolta, de dependência. O cliente ganha a indenização, porém se torna ainda mais infeliz e insatisfeito. O advogado emaranhado sistemicamente pode ganhar a causa e assim ajudar seu cliente no nível daquilo para o qual foi contratado – livrá-lo da prisão ou colocar alguém nela, ganhar a guarda do filho, obter a indenização por uma injustiça sofrida ou se livrar de um pagamento, etc. Mas não é uma ajuda real, pois é limitada e deturpada pelo emaranhamento do cliente e do próprio advogado que com ele se identifica. Na verdade, ajuda o cliente a se tornar mais vítima, mais insatisfeito, mais reclamão, mais acusador.


A ajuda real só vem de alguém que não esteja envolvido no mesmo padrão do cliente.


Fonte: https://direitosistemico.wordpress.com/2018/04/19/a-missao/

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