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A natureza do vínculo.

Por Nicolau Khoury.


ASPAS


A natureza do vínculo A nossa relação uns com os outros pode ser comparada às frutas de uma árvore. Cada qual com seu tamanho, forma, tempo de maturação. Somos, assim como as frutas, todos unidos em grupo por um mesmo fim. A fruta às vezes cai do pé naturalmente, cumprindo o seu ciclo. Noutras, cede em função do vento forte; é arrancada dos galhos para ser saboreada ou descartada por apresentar algum defeito; cai simplesmente por ter apodrecido sob o efeito do tempo. Seja qual for o motivo que a faz se separar de seu local de origem, ela não deixa de ser fruta, já que mantém seus atributos oriundos do vínculo inicial. 

Muitas vezes “arrancamos” as pessoas de nossas vidas pelas crenças que criamos a respeito delas ou sobre a sua participação no grupo. Ou a deixamos simplesmente “apodrecendo pelo tempo” nos utilizando de boa ou má consciência, com embasamento racional ou irracional. O fato é que sistematicamente erguemos barreiras visíveis ou invisíveis contra outras pessoas para que o nosso vínculo ao grupo seja mantido. Isto acontece, porque queremos garantir a nossa sobrevivência como parte de um grupo e, muitas vezes, não nos damos conta das nossas atitudes em relação a terceiros ou sequer questionamos o que motiva a tomar tais atitudes. 

Esse é um fato que acontece nas famílias, nas empresas, em órgãos governamentais ou entidades filantrópicas. Tal ação pode ser qualificada como bullying, racismo, misoginia em relação a cargos de chefia ou até juízos e comentários depreciativos em relação a outrem por suas roupas, características físicas, sotaques tidos como fora do “padrão”. Conforme diz Bert Hellinger no livro O Amor do Espírito: “A consciência nos mantém no grupo como um cão mantém as ovelhas no rebanho (...) Porém, a consciência sempre se refere ao vínculo e ao amor ao vínculo, ao medo da separação e da perda”. Ou seja, apesar do desequilíbrio, estes excluídos não deixam de pertencer ao grupo; continuamos a ter que conviver com eles apesar de nossos julgamentos. 

Acontece que a natureza oferece uma maravilhosa oportunidade de recomeço de ciclo à serviço da vida. Se você observar, o fruto que cai pode entrar em contato com novas terras, germinar e assim gerar outros novos frutos. E esta germinação pode acontecer tanto próximo à árvore original, quanto em qualquer outro ambiente. Não importa o lugar, essa nova chance sempre obedece ao princípio da vida. A hora certa e o lugar exato para que a germinação aconteça não está sob ‘nosso’ controle. É o tempo, e somente ele, que oferece o momento propício para o restabelecimento do vínculo. 

Mas tenha em mente um ponto que Bert Hellinger ressalta: se um membro é excluído ou esquecido – porque não se fala mais dele –, a consciência de grupo faz com que outro membro venha a representar “o excluído”. Ele imita, então, o destino daquele primeiro. Isto acontece tanto nas famílias, quanto em empresas e órgãos governamentais. 

Como restabelecer o equilíbrio? Voltando a ser reconhecido e respeitado! É um processo interno de sentir o excluído no coração. Essa ação precisa ser tomada como um ato de amor e não de compaixão. Tem que ser do tipo: “Eu vejo você”. Assim, os “excluídos recebem a homenagem, o lugar e a posição que lhes competem. E os que vêm depois, deixam a culpa e as suas consequências com aqueles a quem ela pertence, retirando-se humildemente do assunto. Assim se consegue um equilíbrio que traz reconhecimento e paz para todos”. Desta maneira, a completude pode ser restabelecida, gerando um poderoso sentido de ordem, de igualdade e estabelecendo um forte vínculo de pertencimento!      FECHASPAS

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