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Além das imagens.

Por Marcos Castro.


Quem já presenciou uma constelação familiar deve ter notado que trabalhamos com imagens. E nesse aspecto, uma imagem nos revela algo precioso, tanto para o cliente como para o constelador. A partir dessa imagem algo novo e surpreendente pode acontecer que atua por muito tempo. E por isso é preciso cuidado.


A imagem deve ser vista em toda a sua profundidade e não apenas de maneira superficial. E para isso o constelador deve estar em sintonia com o “campo de informações” que se abre em uma constelação familiar, com todos aqueles que estão fazendo parte da representação, bem como com o cliente e todo o seu sistema. Somente assim poderá efetivamente ajudar.


Tantas vezes a imagem que se mostra quer trazer à tona muito mais do que aquilo que se vê à primeira vista. Imagine um homem casado que em uma constelação familiar está olhando para uma representante mulher, que não a sua esposa. Se tomarmos pura e simplesmente a imagem, pode-se passar a impressão de que o homem busca algo fora do seu relacionamento conjugal. Contudo, é preciso que o constelador abandone quaisquer imagens preestabelecidas e permita ser guiado por esse campo dotado de saber, totalmente sem julgamentos.


Neste exemplo, o homem pode olhar para a mulher, o que não necessariamente significa que deseja ter (ou teve) algum contato amoroso. A propósito, aqui vale reforçar: um representante pode inciar uma constelação em um papel determinado e, no desenrolar da constelação, assumir um outro papel, totalmente distinto. Nesse sentido percebam como é importante a sintonia do constelador com o cliente, com o sistema e todo esse campo de possibilidades.


Também é preciso espaço e tempo para que a imagem formada mergulhe na alma do cliente. E por essa razão as respostas nem sempre são imediatas. Aliás, cuidado quando uma pessoa termina uma constelação e já diz: “entendi tudo!”. Essa frase vem de uma observação específica, de algum ponto ou momento da constelação e, se aceita como única verdade, limita o movimento da própria constelação, uma vez que as imagens atuam por muito tempo e a solução se apresenta aos poucos, com toda a sua força, no instante em que essas imagens, como dito, também alcançam a alma do próprio cliente.


Muitas vezes o melhor caminho após uma constelação é justamente esquecer, deixar para trás aquilo que se mostrou. Desse modo a alma passa atuar em sua integralidade e com toda a sua força, sem intervenções motivadas única e exclusivamente pela razão. Permaneça centrado e verás quão grande é, nas palavras de Bert Hellinger, “atuar sem agir”.



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