Breve síntese e histórico: Constelações Organizacionais.

Atualizado: 1 de Jun de 2020

Por René Schubert

Visando estabelecer uma introdução e certas diferenciações entre as abordagens familiar e organizacional, e trazendo-se um pouco desta prática para o mundo dos negócios e profissional, elaborou-se esta breve síntese com conceitos e dados históricos para posterior aprofundamento dos alunos e interessados.



“A meta de uma constelação organizacional são soluções. Através das constelações organizacionais se tornam visíveis soluções para um sistema. Soluções que incluem mais e levam adiante. Via de regra, os temas privados que atuam em uma empresa não são trabalhados, apenas se for solicitado. Portanto, quando todas as análises e providências não ajudam, frequentemente o que ajuda é uma olhada no sistema como um todo, e com isso uma olhada naquilo que atua atrás das aparências. A solução é sempre uma solução para todos do sistema.”

Peter Spelter

“Pensar e olhar o mundo de forma sistêmica permite que nos conscientizemos dos mecanismos e das dinâmicas que estão presentes nos sistemas e que, normalmente, não notamos. Tais dinâmicas podem, em um determinado momento, dar-nos asas para voar e, em outro, deter-nos, paralisando-nos e nos impedindo de agir”.

Jan Jacob Stam

“Às vezes, as organizações e as empresas deparam-se com diversos problemas: a empresa não se desenvolve, os clientes desaparecem, não se conseguem inovar os produtos, os funcionários estão em permanente conflito, a fusão de duas empresas não deixa o negócio desenvolver-se, os funcionários despedem-se sem razão aparente, etc.

O que há de errado? Uma análise racional pode fornecer pistas e partes do problema, mas nunca a visão geral. As Constelações Sistêmicas (ou Organizacionais) dão o elo perdido. O êxito deste método em empresas como a Daimler-Chrysler, IBM ou BMW contribuiu para um crescente interesse desta metodologia em toda a Europa.

Os recentes desenvolvimentos nesta área têm levado à descoberta de novas formas de análise de como as organizações evoluem e se desenvolvem com sucesso.”

Cecilio Regojo

“O consultor sistêmico trabalha para o sistema como um todo, não apenas uma parte dele. Ele está incluindo todos e cada um, especialmente as partes que parecem estar excluídas. Um exemplo: uma equipe está reclamando de seu gerente. Isso afeta imediatamente o consultor, que responde com inclusão, tanto da equipe quanto do gerente. Ele faz o mesmo com o sistema maior que incorpora todos. Pode ser uma unidade, um departamento ou uma equipe que está, em verdade, pagando ao consultor sistêmico, mas sua atitude é aquela de trabalhar para toda a empresa, como o sistema do seu cliente. Para ser eficiente, o consultor necessita da permissão moral da autoridade mais elevada do sistema. Ele consegue isso ao respeitar a política deles.”

Anton de Kroon

“Os problemas não resolvidos numa família se refletem nas empresas e na profissão.”

“Se a pessoa estiver atenta ao problema, facilmente perde de vista a solução, que é a parte realmente importante. ”

Bert Hellinger

As Constelações nas empresas e negócios

Da mesma maneira como as Constelações Familiares tem trazido luz aos relacionamentos familiares, também tem sido útil e pontual para empresas e organizações, que por representarem um grupo organizado de pessoas, tornam-se um sistema. Por meio das constelações organizacionais se tornam visíveis soluções para um sistema com “problemas” ou que apresente obstáculos em relação à comunicação, troca, e em seu caminhar para a prosperidade e sucesso.


Procura-se então, dentro do sistema, soluções que incluem e levem adiante. A solução inclui a ordem, aonde cada qual tem seu devido lugar, aonde sente-se bem, aonde sente-se leve. Caso alguém não se sinta bem em seu lugar, então, via de regra, relacionamentos internos ou particulares precisam ser esclarecidos. Este esclarecimento pode ocorrer durante o trabalho de Constelação Organizacional.

Os sistemas que nos integram

A Constelação Organizacional ocupa-se do olhar para as relações, vínculos, comunicação, fluxo e interações no campo profissional dos clientes. O pensamento sistêmico focado nos diversos sistemas que integramos, que estão interligados e atuam, influenciam, e comunicam-se uns com os outros.


Desta maneira, temos: o sistema familiar nuclear, o sistema familiar expandido, o sistema acadêmico-escolar, o sistema relacional, o sistema social, o sistema profissional, o sistema de nossa cidade, seguido do de nosso estado, de nosso país, o sistema cultural e assim por diante. Se considerarmos cada um destes sistemas como uma circunferência, poderemos visualizar alguns menores, outros maiores – em suas proporções e qualidade de interesse e influência em nossa vida – mas sempre interligados em maior ou menor grau. E todos nos influenciam direta ou indiretamente, consciente ou inconscientemente. Estas “circunferências” ou sistemas têm memória e ocupam lugares em nossas vidas. São sistemas vivos. Por vezes repetimos lugares ou deslocamos lugares de um sistema para o outro.


Às vezes há congruência nisto, outras vezes incongruência. A incongruência leva a mal-entendidos e conflitos. Por isso é importante analisarmos tais “circunferências” de diversas perspectivas e por vezes nos distanciarmos de certas situações para observá-las de outros pontos de vista. Como facilitadores não olhamos para o incidente, mas sim para os padrões. No caso, padrões disfuncionais ou geradores de incongruência entre o cliente e seu(s) meio(s). O objetivo é focar em soluções, possibilidades. Poder reconhecer o que se mostra, diferenciar as situações e pessoas e então aprender, crescer e demonstrar nosso reconhecimento e gratidão.

Um pouco da história

Em 1995, ocorreu a primeira Constelação Organizacional de que se tem registro. Bert Hellinger foi convidado por consultores para realizar este trabalho em Kufstein, Áustria, de modo a verificar se a ferramenta que tinha se desenvolvido com sucesso para questões familiares, poderia também ser utilizada em questões orientadas à tarefa. Bert Hellinger, muito focado nas Constelações Familiares, convidou seu editor e também amigo Gunthard Weber para desenvolver esse trabalho com Organizações. Gunthard Weber concentrou seus esforços sobre essa tarefa, de modo que muitos se referem a ele como o criador das chamadas Constelações Organizacionais – o olhar sistêmico sobre os relacionamentos, vínculos e ordens do sucesso, hierarquia no interior de empresas, corporações, empreendimentos, organizações. Três anos depois deste fato, foi realizado na Áustria, em 1998, o primeiro Congresso sobre o tema, que estabeleceu suas bases iniciais.


Muitos profissionais desde então, dedicaram-se à tarefa de ampliar as bases, abordagens e teorias quanto às Constelações Organizacionais. Hoje temos diversas variantes como a consultoria sistêmica, o coaching sistêmico, inteligência sistêmica e outras abordagens sistêmicas voltadas para os negócios, gestão, liderança e organizações.

Sistema Familiar e Sistema Organizacional

Guillermo Echegaray aponta as diferenças entre as Constelações Familiares e Organizacionais:


· Pertencemos a uma família desde o nascimento, e continuaremos a fazer parte da família mesmo depois de nossa morte. Já no caso de uma organização esse pertencimento é temporário, além de ser uma escolha. Só isso já torna o sistema organizacional muito mais complexo. Entender, portanto, quem pertence ao sistema de uma organização é muito mais difícil. Um funcionário demitido de uma organização deixa um legado e uma história por lá. Esse passado deve ser considerado no sistema. Mas até quando? Só com esse exemplo é possível perceber que há diversas possibilidades de vínculo e pertencimento que estão presentes nos sistemas organizacionais, mas não nos familiares.

· O princípio da ordem é muito mais simples em uma família. Numa organização, a hierarquia pode ter diferentes contextos. O que vem primeiro numa empresa, o mais antigo e experiente em um posto, ou o mais qualificado e mais especialista em uma atividade?

· As famílias são serviços orientados à auto conservação, enquanto que as organizações são sistemas orient