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Como é que as Consciências descobertas por Bert Hellinger atuam em nossa vida?

Por Mônica Clemente.


Você já reparou que a gente não conhece todas as histórias, mas que talvez estas histórias conhecem a gente? i. O que isso quer dizer? Quer dizer que nós somos permeados por muitas camadas de consciência, como descobriu o criador das Constelações Familiares Bert Hellinger. Por exemplo: você tem uma consciência pessoal que almeja um propósito: você quer ser um escritor de romances, mas acaba virando um psicanalista de sucesso. Embora haja o sucesso na profissão atual, você sente que fracassou em seu intento.


A Consciência pessoal fracassa porque esbarra, sem saber, em uma outra consciência, a consciência coletiva inconsciente que atua nas famílias, com suas ordens completamente diferentes da consciência pessoal. A gente só sente ela em seus efeitos, como observou Bert Hellinger (2007:62) ii .


Ele ainda exemplifica estas esferas da consciência nas tragédias gregas, onde o herói fracassa porque pensa que pode seguir seus propósitos independente da influência dos deuses. (Hellinger, 2007:62 e 63). Édipo é dado em adoção depois que o oráculo de delfos diz ao seu pai Laio, rei de Tebas, que ele sofreria uma maldição dos deuses. O vaticínio dizia que Édipo, seu filho, iria mata-lo e casar com a própria mãe Jocasta. Ele, então, é dado em adoção e é criado em outra família. Cresce, se consulta com o oráculo que diz a mesma coisa. Achando que ele faria isso com sua família adotiva, porque não sabia que ela não era sua família verdadeira, foge de Corinto.


No caminho ele mata seu pai verdadeiro, sem saber quem é ele, vence a esfinge e casa com a viúva, que é sua mãe. Quando Édipo e Jocasta descobrem a verdade, ela se mata de vergonha e ele cega seus olhos porque não viu que ela era a sua mãe.


““Ele não viu”, como muitos de nós não vemos esta consciência coletiva inconsciente atuando nas famílias, não deixando que a gente fuja do que “temos que enfrentar. ”


O Luke Sky Walker, herói de Guerra nas Estrelas, também era adotado e desconhecia sua origem. Ele achava que ia conseguir vencer a estrela da morte, depois de atender o pedido de socorro da Princesa Léa na projeção do holograma do R2PO. À medida que sua aventura continua, ele enfrenta o seu maior inimigo, que é quase um deus, o Darth Vader, que se revela como alguém mais perto do coração do herói do que se podia imaginar.


Nos dois casos, a consciência pessoal queria uma coisa e a consciência coletiva inconsciente, ou os deuses, queria outra, fazendo com que eles “fracassassem”, mas descobrissem algo sobre eles mesmos que não viam, como também de suas famílias.


Hellinger, então, diz que estas duas consciências atuando é que formam o que chamamos de destino. E que se não entendermos a atuação desta consciência coletiva inconsciente, como a constelação familiar tem nos ajudados a entender, ficamos à mercê dela, ou dos deuses, ou cegos.


Por isso, pode ser que a gente não conheça as velhas histórias, mas elas conhecem muito bem a gente.


Se você tem um conto de fada preferido na infância e uma história preferida, agora, nos últimos 5 anos de sua vida adulta e começa a entender o enredo delas iii, talvez descubra o que os deuses estão armando para você, sem ficar mais tão à mercê deles.


Meu nome é Mônica Clemente, e esta fala e texto são para o site Movimento Sistêmico com minha gratidão à Tatiane Colombo, sua idealizadora.



i A escritora Leslie Marmon Silk disse: “ Todos nós somos parte de velhas histórias. Não importa se as conhecemos ou não, as velhas histórias sabem de nós.”

ii Hellinger, Bert. A Fonte não precisa perguntar pelo caminho. Patos de Minas, MG: Atman, 2007.

iii Gross, Brigitte e Schneider, Jakob. Ah que bom que eu sei! A visão Sistêmica nos contos de fadas. Patos de Minas, MG: Atman, 2005.

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