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Constelação familiar: Um novo olhar para alienação parental.

Por Allyne Lima[1]


Ao escrever sobre um assunto, propor uma reflexão, primeiramente, isso é para quem escreve, essa é a motivação inicial, quando isso ocorre, o texto não é apenas palavras, torna-se sentido, faz sentido. Desse modo, há transformação em nós, tanto para quem escreve quanto para quem lê. Sinto-me autorizada para tratar de um assunto que me envolve, que por tantas vezes “sem querer querendo” o fiz, me fizeram e está tudo certo.


Retomemos o conceito de alienação parental, trata-se de uma prática comum nas famílias brasileiras, agressões ofensivas que interferem na formação psicológica da criança e prejudica o vínculo com seu genitor, além de outros tantos efeitos.


Embora tais ações tenham visibilidade em famílias divorciadas, a disputa pelo poder entre pai e mãe (ou entre famílias) em relacionamentos doentes começa antes mesmo do nascimento dos filhos. Quem nunca se deparou com frases do tipo: “Espero que se pareça comigo, pois sua família...”, ou ainda “Que tenha meu sangue, pois sua família só tem gente que não presta” por aí vai. Situações como essas causam emaranhamentos em 3, 2, 1, como diz uma amiga, pois não aceitar o pai ou mãe como são, implica em uma delicada questão, direito de pertencer.


Os filhos possuem características físicas, emocionais/comportamentais do pai e da mãe. Então, ao excluir uma dessas marcas, tiramos o direito de existir, pois excluímos parte de sua origem/existência. Assim, o filho perde a força.


Muitos casais, divorciados ou não, iniciam intrigas por conta dessa não aceitação da representatividade do outro nos próprios filhos, negando o próprio filho. Há então, um incômodo em se ver “misturado” a outro ser na imagem refletida no filho. Há ainda, um julgamento de certo e errado, bom ou ruim. Há um dito, “sou melhor que você.”


Bert Hellinger (2016) diz “O homem deve reconhecer que a família da mulher, apesar de diferente, tem o mesmo valor que a sua. E a mulher tem que reconhecer que a família do marido, embora seja diferente da sua, também tem o mesmo valor.”


Quando não dou esse valor, existe a pretensão ou desejo de que o filho olhe para o pai (ou mãe) com os meus óculos, uma situação no mínimo embaraçosa que resulta na falta da ordem. Isso porque não permito que ele tenha suas próprias experiências do lugar de filho.


Não há outra forma de olhar para o nosso filho, somente quando aceitamos o pai e a mãe que há nele, assim permitimos que os filhos sejam felizes. É no reconhecimento da essência do filho, que os laços sistêmicos deixam de incomodar e apertar, passam a abraçar a criança e ela se sente inteira.


São considerações, um ideal de perfeição refletido em “como eu me vejo”, o que nos cega diante do diferente que nos completa, o diferente que faz do filho o todo, o inteiro, o diferente de mim, não melhor ou pior, o diferente. O bom de tudo isso é que o conflito sempre nos mostra algo importante, basta saber como olhar para isso de modo que eu cresça, assim, esse conflito me prepara para um momento único de evolução, a minha evolução, do meu jeito, construída e não adquirida ou repassada, mas nascida de um jeito único e um momento certo. Ocorre então a reconciliação com a própria alma, isso se propaga naturalmente, para quem escreve e para quem lê.


Para meus filhos:


“ Filho querido,

Permito que você veja seu pai

Do seu lugar, não do meu.

Eu vejo seu pai em você!

Esse é o melhor pai para você!”

[1] Professora de Língua Portuguesa, Terapeuta, Consteladora sistêmica.

https://www.instagram.com/allyne_de_lima?r=nametag

http://bit.ly/AllyneLima

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