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CONSTELAÇÕES FAMILIARES.

Por Marcia Cristina Dal Toé.

Se eu pudesse definir em uma palavra o que são as Constelações Familiares seria AMOR. O Amor na sua essência, o Amor livre de julgamentos, acusações e exigências. O Amor mais profundo que está em nosso íntimo e que nos move. Move a TODOS.


Bert Hellinger após muitos anos de estudos, e principalmente, após muitos anos de observação (Fenomenológico), descobriu três Leis que regem os relacionamentos humanos. Por isso, o que antes era considerada uma Psicoterapia ou uma Técnica, hoje, as Constelações Familiares atingiram um outro patamar, é considerada uma ciência, a Hellinger Sciencia®, a Ciência Universal dos Relacionamentos Humanos.


As “Ordens do Amor”, como o próprio Bert Hellinger definiu, são o PERTENCIMENTO, a ORDEM e o EQUILÍBRIO. Essas Leis atuam em TODOS os relacionamentos humanos, independentemente, se as conhecemos ou se acreditamos nelas. Elas atuam. É como a Lei da Gravidade, não precisamos acreditar nela para ela existir, ela simplesmente existe.


“Ninguém pode escapar dessas Ordens. Elas independem da nossa razão, vontade ou dos nossos desejos. Ao que parece, essas Ordens nos são predeterminadas como leis férreas. Por isso mesmo é importante que todos conhecemos as ordens do amor para não transgredi-las.” (RÜDIGER ROGOLL², 2019)


A primeira lei dos relacionamentos é o PERTENCIMENTO, para mim, ela é a mais importante, por que pertencer é a necessidade fundamental de todo o ser humano. Todos os membros da família têm o mesmo direito de pertencimento. TODOS! Filhos abortados, natimortos ou dados à adoção, os meios-irmãos, parceiros anteriores, os assassinados, etc.

"O sistema familiar é um campo espiritual. Dentro desse campo familiar - como podemos experimentar nas constelações - todos estão em ressonância com todos. Às vezes, esse campo se encontra em desordem. A desordem no campo surge quando alguém que pertence a ele é excluído, rejeitado ou esquecido. Essas pessoas excluídas e esquecidas estão em ressonância conosco e se fazem notar no presente. Nesse campo vale uma lei: 'todos aqueles que pertencem possuem o mesmo direito de pertencer'. Ninguém pode ser excluído." (BERT HELLINGER, 2015)


A segunda Lei é a ORDEM. Esta ordem se refere a uma ordem hierárquica de chegada ao sistema familiar. Os que vieram antes tem precedência aos que vieram depois. Por exemplo, na relação pais e filhos, os pais vieram antes, são os grandes e dão, os filhos, vieram depois, são os pequenos e recebem.


“A ordem do dar e tomar na família é subvertida, quando em vez de tomar de alguém que veio antes e de honrá-lo por isso, alguém que veio mais tarde tenta lhe dar, como se lhe fosse igual ou até superior. É o que ocorre, por exemplo, quando os pais tomam de seus filhos e filhos querem dar aos seus pais o que estes não tomam de seus pais ou de seus parceiros.” (SOPHIE HELLINGER, 2019, v.1)


Já a relação de casal, é uma relação de mesmo nível, ambos tem a mesma importância, pois iniciam a relação ao mesmo tempo. Quando um dos parceiros se sente superior ao outro, por qualquer motivo, isso causa uma desordem. Outra desordem bastante comum, acontece nas separações, os parceiros anteriores devem ser honrados e respeitados, caso contrário, serão representados por um dos filhos do novo casal.


“Quando um dos parceiros escolhe o outro por outros motivos que não o amor, tais como a busca por sustento ou proteção, poder social, o casal em seu amor e vínculo tende ao fracasso no relacionamento. Também, dificilmente um casal terá sucesso se a união foi contrária às benções dos pais.” (MARUSA HELENA DA GRAÇA³, 2015)


A terceira Lei é o EQUILÍBRIO entre o dar e o tomar. Quando recebemos algo de alguém, sentimos uma determinada culpa – “devedores”, e ao mesmo tempo, sentimos uma necessidade de retribuir e equilibrar o que nos foi dado. Na relação entre pais e filhos, os filhos jamais conseguem equilibrar o que os pais deram a eles: a vida. Na relação de casal é diferente, precisa haver equilíbrio para o amor dar certo.


“Surge uma desordem quando eu sempre dou mais ao outro do que ele é capaz de retribuir. Nesse caso, o relacionamento, se desiquilibra. Resultado: aquele que recebeu em excesso fica com raiva e deixa a relação sob uma desculpa banal.” (SOPHIE HELLINGER, 2019, v.2)


Uma das maiores realizações de Bert Hellinger foi reconhecer que existem três campos espirituais diferentes de consciência: a Consciência Pessoal, a Consciência Coletiva e a Consciência Espiritual.


“Nesses campos espirituais de consciência, as consciências servem a três condições ou necessidades preestabelecidas para os relacionamentos humanos, que dão força ou fraqueza à alma. As Ordens do Amor se referem ao vínculo, com a força do pertencimento, ao equilíbrio, com a força da compensação, e a ordem, com a força da ordem de chegada e o lugar de cada um no sistema. Essas condições se complementam atuando juntas e são experimentadas como nossa consciência.” (MARUSA HELENA DA GRAÇA, 2015)


A Consciência Pessoal é uma consciência limitada. Ligada a valores familiares e à educação recebida. É nossa vinculação com um grupo limitado, baseada em uma consciência moral, que julga como: “certo ou errado”, “melhor ou pior”, “o bem ou o mal”, “agressor e vítima”, bom ou mau”, etc. É regida pela dinâmica de culpa e inocência, e está ligada à Consciência Coletiva (MARUSA HELENA DA GRAÇA, 2015).


“Aqueles que têm uma consciência diferente da nossa são tidos como inferiores ou menos bons. Mas, assim como fazemos com eles, eles também procedem conosco.” (SOPHIE HELLINGER, 2019, v. 2)


A Consciência Coletiva ou Consciência do Grupo ou Consciência do Clã está ligada a um determinado grupo, por exemplo, nossa família ou colegas de trabalho. Fazemos, muitas vezes, inconscientemente, pela ameaça de não pertencer, coisas muito ruins de boa consciência, e, coisas muito boas de má consciência. Sustentamos comportamentos, decisões, opiniões, posturas, que não condizem com aquilo que é a nossa verdadeira natureza, somente, para não corremos o risco de não pertencermos a esse grupo.


“Em oposição à consciência pessoal, a consciência coletiva se apresenta como amoral. Ela não distingue entre bem e mal, entre culpado e inocente. Por outro lado, ela protege todos os membros do grupo da mesma maneira, já que seu objetivo é preservar o grupo em sua totalidade.” (SOPHIE HELLINGER, 2019, v. 2)


A Consciência Espiritual ou Consciência Universal abrange todas as outras consciências, é a consciência maior, do amor do espírito. Se encontra num nível mais elevado, aceita tudo tal como é, sem distinções e sem julgamentos. Por que tudo que existe, da forma que é, foi pensado por um espírito criador.


“Na Consciência Universal, no amor do espírito, o movimento leva à união e à aceitação. “Bom e mau”, “agressor e vítima”, quaisquer interpretações separatistas por conceitos de valores perdem qualquer significado junto ao amor do espírito. Julgamentos deixam de existir em prol de uma aceitação maior, incondicional, baseada no amor.” (MARUSA HELENA DA GRAÇA, 2015)


A Constelação Familiar é um caminho que decidi percorrer. Um caminho para o mais, um caminho diferente, novo e cheio de descobertas. É um mergulho na alma, uma postura interna que pode mudar tudo. Agradeço, infinitamente, a Bert Hellinger por ter me levado até meu pai e a vida do meu filho. Minha eterna Gratidão!


REFERÊNCIAS

GRAÇA, Marusa Helena da. Constelações Familiares com Bonecos e os elos de amor que vinculam aos ancestrais . 2ª Ed., Curitiba: Juruá, 2015.

HELLINGER, Bert. Olhando para a alma das crianças. Belo Horizonte: Atman, 2015.

HELLINGER, Sophie. A própria felicidade: fundamentos para a Constelação Familiar. Brasília: Tagore Editora, 2019. v.1.

HELLINGER, Sophie. A própria felicidade: fundamentos para a Constelação Familiar. Brasília: Tagore Editora, 2019. v.2.

ROGOLL, Rüdiger. Prefácio. In: HELLINGER, Sophie. A própria felicidade: fundamentos para a Constelação Familiar. Vol. 2 Tradução: Beatriz Rose. – Brasília: Tagore, 2019.


Marcia Cristina Dal Toé - Professora Doutora da Área de Cálculo da Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT, desde 2006. Idealizadora, juntamente com a Profª Drª Elisabeth Battista, do GESSEC (Grupo de Estudos Sistêmicos: Saberes, Essência e Consciência) 2015, em Cáceres -MT. Coordenadora do Projeto de Extensão Universitária, ‘Constelações no Campus’, o qual realiza Constelações com alunos com dificuldades em Cálculo. Já participou de diversos Seminários com Bert e Sophie Hellinger, tanto no Brasil quanto na Alemanha.

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