CONSTELAÇÕES FAMILIARES E O PENSAMENTO SISTÊMICO APLICADOS NO JUDICIÁRIO.

Por Karla Ramos da Cunha.


Projetos: Cejusc Santana – Mediação à serviço da vida Fórum Mogi das Cruzes – Olhar Consciente Ministério Público do Estado de São Paulo – Promotoria de Justiça Cível de Santo Amaro e Ipiranga – MP Sistêmico.


O Direito Sistêmico tem tomado uma proporção muito grande e efetiva no nosso Judiciário. Nós, como precursores, devemos ter a responsabilidade de honrar todos os ensinamentos que nos é repassado de forma a nos mantermos à serviço da vida.


Temos a possibilidade de realmente trazer ao Sistema Judiciário um novo olhar, um olhar mais humanizado, mais claro sobre a origem dos conflitos e é isso que faz com que a Justiça continue bela, imparcial e, porque não dizer, justa no real sentido da palavra.


Nós, como precursores do Direito Sistêmico e leais aos ensinamentos de Bert Hellinger, temos que ter muito claras e concretas no nosso dia-a-dia as Leis Sistêmicas e as Ordens da Ajuda.


Os preceitos que Bert Hellinger trouxe a conhecimento, após anos de estudo e observações, não têm o condão de angariar seguidores. Tem a força de ser entendido pela alma e disseminado por entendermos que este é um caminho regido por uma Força Maior.

O primeiro desafio que temos, como Consteladores, é justamente desmistificar a prática e demonstrar, com um embasamento teórico consistente, a base científica que respalda a prática das Constelações.


O campo que se forma, tanto em palestras como em atendimentos individuais, é diferente do campo que é formado quando as pessoas procuram as Constelações voluntariamente. Falo isso pois um grande número de pessoas que vão às palestras nos Fóruns foram convocadas ou se apresentam por indicação de seu advogado, e isso faz com que haja, inicialmente, uma certa resistência. Isso exige do Constelador coragem para harmonizar o campo de trabalho, com a visualização de sua ancestralidade, de seus mentores e principalmente, no meu caso, Bert e Sophie Hellinger, bem como também honro a possibilidade de disseminar a cultura do Direito Sistêmico através do Juiz Dr. Sami Storch.


Sendo assim, a forma como explicamos a fenomenologia, o campo morfogenético e as Leis Sistêmicas, devem ter uma abordagem extremamente didática. Verifico e aponto diferentemente dos Grupos de Constelações, pois, nestes Grupos, as pessoas se informaram antes ou alguém que indicou já comentou algo a respeito das Constelações, fazendo com que elas se apresentem mais dispostas ao aprofundamento.


As Leis Sistêmicas devem estar presentes em primeiro plano nas nossas vidas, para que possamos seguir com este ensinamentos de forma convicta.


Segundo Bert Hellinger, são três as Leis a serem observadas:


1) PERTENCIMENTO

O pertencimento é o princípio do reconhecimento da unicidade de um sistema familiar. Quando ocorre uma exclusão existem reflexos e os sentimentos gerados na pessoa excluída será representado, inconscientemente, em gerações posteriores.

A completude de um sistema familiar (ou Grupo), quando há exclusão, é restabelecida por um representante mais jovem, muitas vezes, sem que haja um perfeito entendimento por este Grupo. Situações em que filhos não se adequam ao convívio familiar e se excluem, trazem nas suas entrelinhas a frase “eu sigo você”, onde este filho representa os sentimentos de um membro excluído ou desconsiderado.


2) HIERARQUIA

A Hierarquia se dá pela ordem de precedência. É onde se estabelece o lugar de cada um no sistema familiar. Um filho que se sente maior ou melhor que um dos pais ou que seus irmãos mais velhos sai do seu lugar, carregando com isto as consequências de responder por um lugar que não lhe corresponde.


Tal atitude é assimilada de forma totalmente inconsciente, pois este membro acredita que está cumprindo corretamente com o seu papel dentro do sistema.


3) EQUILÍBRIO ENTRE O DAR E O TOMAR

O Equilíbrio é alcançado quando tomamos o que nos cabe e retribuímos com os recursos que temos. Importante aqui dizer que a única relação onde o equilíbrio não se traduz em uma via de mão dupla é o relacionamento entre pais e filhos e professores e alunos. Nestas situações os filhos/alunos não conseguirão jamais retribuir aos pais/professores tudo o que receberam. Esta relação se equilibra quando os filhos repassam a vida adiante, seja com seus próprios filhos, seja com projetos que se apresentem à serviço da vida, já os alunos aplicam a sabedoria alcançada também à serviço da vida.


Nas demais relações sempre que recebemos podemos retribuir e assim mantemos o equilíbrio.


Relações onde este equilíbrio não é observado perdem a força e não perduram, pois quando uma das partes se sente devedora, tende a se retirar por não poder retribuir o que recebeu.


Quando falarmos de pertencimento, que tenhamos acolhidos em nosso coração TODOS os membros de nossos sistemas.


Quando citarmos a hierarquia, que saibamos o nosso lugar. Na Hierarquia, o nosso lugar é sempre o que exige mais desprendimento e amor, para que seja preservado tal qual ele é.

Quando praticarmos o equilíbrio, que ele venha da nossa completude e da certeza que fazemos o que nos é possível e recebamos o que nos é suficiente.


A grande força da aplicação destas Leis em nossa vida é libertadora. Uma vez que trazemos à consciência os fatores que criaram nossa distancia destas Leis, podemos trazer ao nosso coração a completude de seguirmos à serviço da vida, como o maior presente que recebemos de nossos pais.


Exige que tenhamos toda a compreensão e observação aos movimentos que se revelam. Se você se desloca do seu lugar, que tenha leveza para se reposicionar rapidamente. Se alguém quer tirá-lo do seu lugar, irradie amor e compreensão.


Quando nos mantemos em nossa essência serena e equilibrada, as coisas por si só se acomodam e as situações de conflito perdem força.


Estando em sintonia com as Lei Sistêmicas, para que possamos aplicá-las de forma a engrandecer os trabalhos com as Constelações, temos que concretizar as Ordens da Ajuda. Pois quando estamos tratando de conflitos, antes de qualquer movimento, as pessoas olham para a sua dor e, nós, como Facilitadores, corremos um grande risco de sermos seduzidos por uma das partes se não mantivermos nossas questões e nossas convicções devidamente internalizadas.


Sem medo, sem intenção, distanciado, isento e absolutamente à serviço. Meu lugar será sempre o último. Minha opinião não contribui para nada além de fortalecer os emaranhamentos. A minha vida pessoal inexiste neste momento. Me entrego a essa Força Maior que conduz tão lindamente os trabalhos. E os resultados são realmente surpreendentes.


Tenho a oportunidade de participar de diversos projetos incluindo as Constelações no Judiciário. São eles: Projeto Mediação à Serviço da Vida no Fórum de Santana, Projeto Olhar Consciente no Fórum de Mogi das Cruzes, e, ainda em fase de implantação mas devidamente aprovado pelo Procurador Geral do Estado de São Paulo, o Projeto MP Sistêmico, que inicialmente terá atuação nas Promotorias de Justiça Cível de Santo Amaro e do Ipiranga.