Convivências que Machucam, Escolhas que libertam.

Por Carmen Hornick.


Cada interação, por mais simples que seja, um olhar, um sorriso ou até um longo bate-papo, é capaz de nos dar pistas sobre as razões para uma pessoa ser ou de não ser de algum modo, de ter ou de não ter certa postura, de se comportar desta ou daquela maneira. Note que eu disse dar pistas, não disse julgar.


Quando paramos para observar o que constitui o nosso eu, é possível perceber que trazemos um pouco de cada um com quem interagimos, em algum aspecto do comportamento, da forma de ser, de fazer e de pensar e até de falar. Quem conhece você, é capaz de perceber as influências que norteiam as suas relações e que ressignificam os seus paradigmas dependendo das pessoas com quem você se relaciona, embora, na maioria das vezes, você nem se dê conta disso.


Observe como exemplos, aquela frase que você incorpora no seu vocabulário, a comida que você nem conhecia e que agora adora, o estilo bacana de se vestir diferente do habitual, o desejo novo e repentino, os pensamentos diferentes, e por aí vai a lista de influências que sofremos nos encontros da vida.


Isso se deve ao fato de que quando nos esbarramos por aí, partilhamos nossas energias, mas, às vezes, também nos repelimos, justamente por causa dela, a energia. Engraçado, né? Mas aí é que está a magia! A possibilidade de o meu ser ter sido tocado de maneira tão profunda capaz de provocar em mim aspirações para ser diferente. Isso vem, na maioria das vezes, de forma intensa. Seja pelo interesse de querer ser tão bacana como a pessoa que a vida lhe dá o prazer de conhecer, seja pela aversão que ela provoca em você.


Primeiro, considere que a convivência é um presente, pois nos dá a oportunidade de podermos escolher os nossos relacionamentos pela identidade com o outro ou pela falta dela. No entanto, em época de isolamento e de uso acentuado de tecnologia, como a que estamos vivendo, é que percebemos o quanto estar com o outro é necessário para o ser humano. O contato físico, o encontro, é o alimento para a alma, capaz de nos fazer reviver.

Significa dizer que, de alguma maneira, na convivência, nós nos conectamos e isso nos faz pertencer. Estar com o outro muda a nossa condição de fragmento, de solidão, para a integração. Passamos a vibrar juntos, para a conexão ou para a repulsa, e isso se inicia com a sintonia do olhar. Assim, passamos a ponderar se queremos estar mais perto ou se queremos simplesmente nos distanciar.


Depois, note que nós, como seres humanos, tendemos a querer nos livrar, o mais rápido possível das pessoas cuja sintonia não nos seja harmônica. Afinal, instintivamente, costumamos evitar a exposição a situações que nos façam sofrer e sentimos que é melhor ficar longe daqueles que nos aborrecem, pois é mais confortável que só os nossos convidados entrem em nosso mundo, não é mesmo?


Tudo certo até aí! No entanto, há circunstâncias em que precisamos manter esses relacionamentos quer desejemos quer não, pois, às vezes, trata-se de relação na família ou no trabalho. Como fazer? Como lidar com o evento sem se machucar?


É comum, quando colocamos o foco na situação que não conseguimos resolver, passarmos, primeiramente a desmerecer a nossa história e as nossas conquistas. Depois, a terceirizar a responsabilidade para outras pessoas: os outros, os pais, os amigos, os parceiros e colegas, o país e seus políticos, a escola ineficiente, a falta de dinheiro, o governador, o prefeito, o presidente… enfim, alguém que não seja eu!


Pronto! Vamos virar o jogo. É chegada a hora de trazer para a arena o adulto, a maturidade emocional. O ponto mais importante para refletir é que pessoas diferentes de você, na forma de pensar e de agir, não colocam a sua vida em risco. Então, observe seus pensamentos e emoções e considere que a alegria de viver flui quando tomamos como norte a sensação de que todas as pessoas que cruzam o nosso caminho são importantes, mesmo aqueles que gostaríamos de ver bem longe.


Perceba que nos foi dada a liberdade de escolher se queremos ou não tomar o lugar a vítima. Se assim o fazemos, perdemos a chance de enxergar as possibilidades que o simples fato de conviver com consciências diferentes pode mudar a nossa forma de sentir o mundo e, assim, de viver novas experiências.


Então, não perca a chance, siga os antigos, e tão atuais, conselhos de Salomão e não negue o que os seus olhos desejam ver, nem prive o seu coração de sentir alegria, pois quando você se alegra, apesar dos relacionamentos difíceis que tem de enfrentar, aí sim, você descobriu toda a recompensa!


Carmen Hornick

Cuiabá, 21/05/2020

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