Cuidando do Cuidador.

Por René Schubert.


Reflexão a partir do trabalho em consultório como psicoterapeuta seguindo na linha psicanalítica com clientela infantil e adulta.


Psicoterapia Individual -- é um espaço especializado no atendimento psicoterápico, que trata dos aspectos psíquicos singulares do indivíduo. É o trabalho dos afetos, emoções, padrões e pensamentos do indivíduo que o levam a ter consequências negativas ou sofrimento em seu dia a dia. Com base teórica psicanalítica, muitas temáticas e questões que o indivíduo traz às sessões psicoterapêuticas podem ser refletidas, problematizadas e reconstruídas, visando uma melhor adaptação e interação com o meio social, profissional e cultural.


A partir da imagem humorada acima e da animação que segue a seguir, surge esta reflexão tão importante sobre os cuidados que o psicoterapeuta, terapeuta, facilitador, precisa ter consigo mesmo.


Seu material de trabalho é o material humano. O dia todo em contato com as manifestações e conteúdos trazidos por crianças, jovens, adultos, homens, mulheres, idosos, famílias, casais. Afetos, emoções. Histórias, tramas e dramas. Angustias, incômodos, desconfortos, insatisfações. Sentimentos. Dores e Machucados. Conflitos internos e externos. Traumas, transes e mecanismos de adaptação. Personagem preferidos e preteridos. Exclusões, preconceitos, julgamentos. Pensamentos sombrios. Desejos assustadores. Fantasias terroríficas e por vezes libertadoras. Comportamentos, crenças que auto-sabotam. Vínculos pesados...também vínculos leves. Crenças que limitam...crenças que levam e mantém o sucesso. Palavras mal ditas...palavras mágicas. Relacionamentos tóxicos, relacionamentos fugazes, relacionamentos sofridos...relacionamentos que levam adiante.


E por todas estas cenas, dores e cores...a pessoa do psicoterapeuta já passou. Já vivenciou. Já presenciou. Já sentiu e tocou. E é esperado que tenha trabalhado estas, em seu próprios espaço terapêutico de escuta, acolhimentos e transformação.


Como colocado pelo facilitador Thomas Bryson: "Um cliente trará suas sombras para o atendimento, para o campo. Para adentrar nestas sombras, o terapeuta precisa estar preparado, precisa ser capaz de estar e se manter na presença. Para tal precisa conhecer suas próprias sombras, e precisa ter visitado e tomado contato com as mesmas diversas vezes. Apenas um terapeuta que conhece suas próprias sombras pode entrar nas sombras do cliente sem ser desviado ou engolfado por estas."


Como nos aponta o psicanalista Jorge Forbes, somos profissionais do incompleto. Lidamos com a incompletude. Com o imperfeito. Somos incompletos e imperfeitos. Isto nos faz inquietamente buscar, aprimorar, transformar.


O trabalho do psicoterapeuta, terapeuta, facilitador...é constantemente sobre si mesmo. Para poder fornecer recursos e ferramentas, reflexões e estratégias, possíveis e vívidas ao seu paciente/cliente.


Sigmund Freud apontava para importância do tripé da psicanalise: Analise pessoal, supervisão e estudo teórico. Trabalhar seus temas pessoais, suas angustias e medo em seu espaço terapêutico. Supervisionar as questões práticas difíceis que surgem no dia a dia da clínica. Aprofundar e manter os estudos teóricos...pois cada paciente/cliente, traz o novo ao consultório. Cada caso é um caso. Desenvolvemos as hipóteses diagnosticas, estratégias clinicas, tratamento, a partir de cada novo caso como este se apresenta e desenvolve. Ou seja este tripé sugerido por Freud, é movimentado constantemente pelo(a) o(a) terapeuta.


Lidando com seres humanos, como o(a) próprio(a) terapeuta, o(a) mesmo(a) precisa estar em constante movimento de escuta, paciência, tolerância, inclusão do novo, supervisão, aprimoramento, aprofundamento, abertura.


Somos incompletos, vulneráveis e frágeis...também...e isto não é uma fraqueza, muito pelo contrário, isto é uma força. Para tal precisamos trabalhar, com frequência, estes aspectos. Estar atentos e respirar conscientemente. Entrar em contato. Reconhecer. Diferenciar. Reverenciar. Dar um lugar. Integrar. Atuar, com consciência e presença!


Psicoterapia: Animação mostra a relação Psicólogo e Paciente -



Essa animação mostra, de forma simbólica a relação Psicólogo X Paciente, e a importância do Psicoterapeuta também cuidar de sua própria Saúde Mental. O psicoterapeuta além de sua formação teórica e conhecimento clínico, precisa também de acompanhamento psicoterapêutico e supervisão - para que possa lidar com as diferentes demandas, afetos, situações trazidas por seus pacientes singulares , sem deixar seus próprios assuntos e opiniões interferirem neste trabalho. Sigmund Freud apontou que a clinica é suprema, é onde mais aprendemos e vivenciamos - porém para alcançar a postura analítica é necessário estudo teórico, analise pessoal, supervisão clínica e constante aprofundamento.


Referências para estudo:


Sobre a animação disponível no Youtube: Originalmente postado em 2010 pelo nome Garra Rufa - A short animated film done by a group of artist at Sheridan College.Explores the mind of a psychiatrist.

Bert Hellinger - Religião, Psicoterapia e Aconselhamento Espiritual. Editora Cultrix, 2005

Contardo Calligaris - Cartas a um jovem terapeuta. Alegro, 2004

Irvin Yalom – Os desafios da terapia – reflexões para pacientes e terapeutas. Ediouro, 2006

Jorge Forbes – Da palavra ao gesto do analista. Campo Freudiano no Brasil. Jorge Zahar Editor

Sigmund Freud – Recomendações aos Médicos que Exercem a Psicanálise (1912); ‘A Dinâmica da Transferência (1912); Analise terminável e interminável (1937). Editora Imago

Ursula Franke - Quando fecho meus olhos vejo você – Editora Atman, 2006

Dra. Ursula Franke e Thomas Bryson – Treinamento Relacionamento e Constelações – setembro 2016 - http://aconstelacaofamiliar.blogspot.com/2016/09/treinamento-internacional.html

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