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Educação e Pedagogia Sistêmica.

Por René Schubert.




"O pensamento sistêmico inclui o conhecimento de que o aluno e os professores estão conectados a suas famílias de origem (e às ideias e regras desse sistema). Ser parte do sistema escola significa que a escola também faz parte de todos os sistemas familiares que estão conectados a ela ou, usando imagens, que as famílias de origem de todos os alunos e professores representam subsistemas de uma escola.


Dessa forma, as famílias atuam na escola e a escola nas famílias (..).

Assim, não podemos distinguir completamente onde o "sistema família" termina e o "sistema escola" começa.


Segundo nossa noção tradicional, que nos deixa acreditar que podemos perceber o mundo do modo como ele é, consideramos família e escola como duas unidades claramente delineadas, cada uma com suas próprias regras, necessidades e tarefas. Hoje, contudo, sabemos que nenhum sistema pode ser mantido completamente independente de outro sistema e que a escola também não pode ser mantida afastada de tais fatores como televisão ou a cultura jovem existente.


Nossos alunos são os arquitetos de nosso campo e de seu mundo futuro. Assim sendo – mais do que qualquer outro campo de consciência – a escola está criando a matriz do futuro que se está formando."


Marianne Franke-Gricksch


"Tornou-se claro que o professor perde força ao olhar apenas para o problema. Por outro lado, quando olha para o aluno, enxerga seus pais por trás dele e respeita a sua história familiar, bem como as condições sob as quais a criança cresceu, está em sintonia com o destino da criança e de sua família. Ao mesmo tempo, é capaz de sentir seus próprios pais atrás de si e respeitá-los. Dessa forma, também está conectado à sua força. Assim, o professor se mantém em sua própria tarefa e obtém a confiança necessária dos pais. Apenas dessa maneira se torna possível para ele ensinar os alunos. Ele deixa o aluno e seus pais com sua dignidade e assume sua própria dignidade em um lugar adequado como professor."


Bert Hellinger


O que é Pedagogia Sistêmica?


A Pedagogia Sistêmica teve sua origem a partir dos trabalhos do filósofo e professor alemão Bert Hellinger. Missionário católico na África do Sul, durante quase 16 anos, Hellinger lecionou em escolas para os zulus, durante o regime do apartheid, o que lhe possibilitou uma perspectiva ímpar para identificar questões de conflito e consciência.


Além disso, seu desenvolvimento pessoal o levou a estudar e praticar uma vasta gama de abordagens psicoterapêuticas, como: psicanálise, análise transacional, hipnoterapia Ericsksoniana, terapia primal, Gestalt, esculturas familiares, análise de histórias, etc.


Foi assim que seus trabalhos o levaram a descobrir a natureza da consciência pessoal e certas leis inconscientes que regem o comportamento humano em grupos familiares e sociais, as quais denominou “ordens do amor”.


Mais tarde diversos professores e pedagogos iniciaram a aplicação do método na área educacional, sendo a contribuição mais relevante feita inicialmente por Mariane Franke-Gricksh a qual escreveu um livro denominado “Você é um de nós” (publicado no Brasil pela Editora Atman).


Atualmente, existe uma grande experiência desse trabalho acumulada em centros educacionais da Espanha e México. No Brasil algumas escolas e institutos estão adotando esta postura e olhar e aplicando-a na educação e ensino. Tem-se utilizado também a mediação escolar como forma de lidar com conflitos internos no ambiente escolar a partir do olhar sistêmico e postura das Constelações Familiares.


Já existem alguns cursos no Brasil de formação voltados para educação e pedagogia sistêmica e inclusive cursos de Pós-Graduação em Educação Sistêmica.


Essa metodologia pode ser aplicada independentemente da Filosofia Educacional do Colégio?


Sim. Tratando-se de uma abordagem filosófica em primeiro plano, a pedagogia sistêmica não é na verdade uma metodologia em si. Ela mostra como muitas das intervenções desenhadas para solucionar problemas na relação escola-aluno-família falham devido ao desconhecimento das leis inconscientes que governam o grupo familiar. Mostra ainda como é possível, por meio do conhecimento dessas leis, atuar de forma simples e marcante, atingindo os objetivos propostos.


Nesse sentido, o novo referencial propiciado pela abordagem vai ao encontro da Filosofia Educacional específica de cada Colégio, aproveitando todas as formações e conhecimentos anteriores dos educadores e da direção da escola.


Exemplo: em muitas situações familiares o pai está excluído. Muitas são as razões, mas não cabe aqui discuti-las. Acontece que Bert Hellinger descobriu que num nível muito profundo as crianças são totalmente leais aos pais, especialmente, quando esses são excluídos, desvalorizados e condenados. Isso significa que se, na escola, também olharmos esse pai como “mau”, “inapropriado”, “ausente”, etc. jamais teremos o apoio da criança em qualquer intervenção pretendida. Se, ao contrário, nos colocarmos numa posição de neutralidade, respeitando “na criança” seu próprio pai e seu destino, então teremos um bom terreno para atuar e trabalhar com esta criança.


Qual o principal objetivo dessa abordagem?


O principal objetivo é treinar o corpo docente na visão das “ leis ou ordens do amor”- relações, vinculos e leis inconscientes que regem o comportamento humano em grupos familiares e sociais - de forma que todo seu trabalho seja permeado pela visão das relações que perpassam o universo da criança.


Dessa forma, os educadores (professores, orientadores, coordenadores etc.) terão em seu campo de visão, a melhor forma de intervir sem ferir as leis sistêmicas, aumentando assim as chances de sucesso em sua rotina de trabalho.


Quais os benefícios que se pode esperar?


- Ampliação das possibilidades de e na comunicação entre os pais, seus filhos e a relação com a escola; E nesta ultima, a comunicação do corpo docente com coordenação e direção; E nesta ultima, a comunicação com o meio sócio cultural e as instâncias superiores de educação;

- Melhora da relação escola-aluno-família;

- Ferramentas práticas e reflexivas para mediação de conflitos;

- Potencialização do processo de aprendizagem, tanto por parte dos educadores quanto dos educandos;

- Visão ampla dos diversos sistemas que compões e atuam sobre os alunos e suas famílias;

- Maior equilíbrio e harmonia em sala de aula.


Bibliografia sobre o assunto:


Todas as crianças são boas e seus pais também – Bert Hellinger. Revista Hellinger Sciencia, Março de 2007

Olhando para a alma das crianças - Bert Hellinger. Editora Atman, 2009

Você é um de nós: Percepções e Soluções sistêmicas para professores, pais e alunos - Marianne Franke-Gricksch. Editora Atman, 2005

Constelações Pedagógicas. Segundo a Abordagem Sistêmica de Bert Hellinger – Fatima Mello. Editora Leader, 2018

Mediações sistêmicas nas escolas - Rinaldo Almeida, Edições Mahatma, 2019

Introdução à Pedagogia Sistêmica: Uma Nova Postura Para Pais e Educadores - Jean Lucy Toledo Vieira. Life Editora, 2018

Constelação Familiar: impressa na alma, no corpo, no destino – René Schubert. Reino Editorial, 2019

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