#JaneiroBranco #SaúdeMental #Psicoeducação.


Por René Schubert


“Nós poderíamos ser muito melhores se não quiséssemos ser tão bons.”

Sigmund Freud


Sim, nosso título para este texto são Hashtags(#)!


Símbolos da contemporaneidade.


Símbolos da flexibilização, tecnologia, linguagem e fluxo, movimento de nossa sociedade.


Nunca estamos parados. O que é vivo não está parado. Segue em fluxo e movimento.


O que está imóvel, parado, por vezes aponta para deterioração, congelamento, paralisia, degradação, trauma, sintoma. Sabemos que a doença também nos leva a algo. Por vezes aponta para algo, para situações, eventos, pessoas. Nos movimenta também. Assim como os sintomas e sinais. Mas o que está parado traz a percepção da morte. Acabou. Cristalizou. Findou.


Nesta Hashtag (#) trazemos os temas, Janeiro Branco; Saúde Mental e Psicoeducação.


Vemos que nosso calendário ficou mais colorido. Temos janeiro branco, setembro amarelo, outubro rosa, novembro azul...para citar alguns exemplos. São cores e símbolos que apontam para temáticas. Temáticas essências de serem informadas, ensinadas, refletidas, problematizadas. Temas essenciais como o a conscientização, cuidados e prevenção dos quadros de Câncer, o autismo, a saúde masculina, a saúde feminina, a saúde mental – apenas para mencionar alguns.


Olhar para estes temas e permitir-se ser levado por estas reflexões e aprofundamentos em determinado campo do saber humano. E agora vamos falar da saúde mental, sua e minha. Pois todos temos, de fato, saúde mental. Somos seres Bio-Psico-Sociais e Espirituais, segundo a Organização Mundial da Saúde. Somos tocados e influenciados por diversas áreas e campos, e influenciamos e tocamos diversas áreas e campos – estamos em constante movimento, comunicação, transação. Somos influenciados e influenciamos. Somos afetados e afetamos. Interrelacionamo-nos com tudo e todos à nossa volta, direta ou indiretamente, consciente e principalmente, inconscientemente.


O Janeiro Branco é uma campanha brasileira iniciada em 2014. Ela tem como tema a Saúde Mental. O mês de janeiro foi escolhido porque é neste mês que as pessoas estão mais focadas em resoluções e metas para o ano.


Aqui pela plataforma do Movimento Sistêmico diverso(a)s colegas produziram vídeos, textos e áudios, para marcar os processos e rituais de fim de ano, e também os rituais e processos de reinicio, renascimento, estabelecimento de metas, focos, sonhos, possibilidades para 2021.


Ainda mais por conta das características do ano de 2020, com a pandemia, as crises nas áreas da saúde, economia, polarização política, casos de corrupção, conflitos e violências – mas também, nossa flexibilização, adaptação, capacidade de renovação, empatia e compaixão. O olhar para a Educação, Saúde, Higiene, Ecologia, Cuidados com o planeta e com a sociedade de forma global.


Muito se falou, em 2020, dos quadros psíquicos agravados também por conta do distanciamento, recolhimento social, das diversas medidas de cuidados e interrupção de atividades profissionais, econômicas, sociais – relatos de ansiedade, pânico, depressão, isolamento, tristeza, impulsos, agressões, violências, vícios – Isto precisa, sim, ser olhado, falado, estudados, refletido e reconhecido. Como humanos, incompletos e imperfeitos, sofremos em nossa interação com o meio externo, e com os conflitos internos que carregamos em nós. A boa notícia é, ninguém está sozinho nesta tarefa. Isto acontece com todo(a)s nós. E há alternativas, há saídas, há tratamentos, há pontes, há caminhos...


Em publicação agora em Janeiro pelo Correio Brasiliense temos: “Janeiro Branco, é hora de cuidar da saúde mental da população. "Janeiro Branco" busca chamar atenção dos brasileiros para os transtornos psicológicos.”


O Janeiro Branco tem um histórico muito bonito, pois o mês de janeiro é tradicionalmente marcado pela cultura do recomeço, da renovação. Após as festas de final de ano, em que todos somos impelidos a repensar nossas vidas, a fazer um balanço de nossas ações, chega janeiro, trazendo uma espécie de cobrança interna para realizar algo que faça os doze meses que temos pela frente melhores do que os que passaram.


Janeiro é uma página em branco, em que pode ser reescrita uma nova história, a depender de nossas ações, focos e planejamento.


Foram psicólogos de Uberlândia, em Minas Gerais, que criaram e desenvolveram a campanha Janeiro Branco, para incentivar as pessoas a mudarem suas vidas e buscarem o que lhes faz sentido e traz alegria, motivação, felicidade. É um convite para entender que, assim como os anos, a vida é feita de ciclos, de forma que, com consciência e motivação, podemos encerrar aqueles que não nos fazem bem e (Re)iniciar os que nos trazem sentido.

A escolha da cor branca é inspiradora: é a partir do branco que toda cor pode surgir, possibilitando colorirmos nossas vidas com o tom que desejarmos. O branco é, afinal, um convite à criatividade. Diversidade. Infinitas possibilidades (cromáticas, afetivas...)


O objetivo principal do Janeiro Branco é trazer a consciência de todos para o tema da saúde mental. Quando se fala em saúde mental, muitos relacionam à ausência de doenças, como depressão, ansiedade, bipolaridade etc – mas a Organização Mundial da Saúde, conceitua saúde como um completo estado de bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças ou demais enfermidades.


E neste sentido faço a ressalva. Não é a saúde no sentido de normalidade. Mas no sentido de saúde que faz e traz sentido para você.


A normalidade é só um ideal imaginado. Ela nos cola num padrão rígido e sufocante. Normaliza nos e prende nos.


O normal é uma característica ambivalente, boa e ruim ao mesmo tempo - queremos ser originais mas não queremos ser repudiados e excluídos. Queremos pertencer...se formos “normais” se formos “ideias” será que pertenceremos mais? Se estivermos na moda, seremos melhores? Vão nos amar mais? Quantos “likes” minha normalidade merece? Você me aprova assim, você me aceita assim, você me permite assim?


A norma me prende ao outro – imaginário. Certo e errado. Bom e ruim. A norma me prende a ditadura da aprovação ou reprovação, de outrem.


O primeiro esboço do que é normal vem da família, de nossa socialização primária. A criança vai continuar a ser “normal” e seguir os padrões, jeitos e trejeitos familiares, para ser amada, ou vai escolher transgredir as leis familiares para dar conta dos seus próprios desejos – correndo o risco de tornar-se “ovelha negra”(?!). Esta norma vinda da família, preexiste à criança, regula suas relações intrasubjetivas e interpessoais. O ambiente exerce efeito normatizante, para poder estar em sociedade. Dentro das normas. Dentro das regras.

Sim, fundamental para compreender o tecido social. Importantíssimos termos estas referências. Suas normas, leis, formas de ser e agir. Nossa baliza cultural. Mas conforme “adultecemos”, vamos desenvolvendo, com nossa maturação, nossas formas de ser e estar, em sociedade. E, adivinhem só? As possibilidades são diversas. Coloridamente e criativamente diversas. Vamos criando e co criando a realidade à nossa volta, e internamente. Claro, a partir de nossas trocas, contratos, negociações, parcerias com o meio externo, social, cultural.


Li recentemente um artigo publicado no El Pais, de 2018, que: “Todos somos esquisitos: cientistas de Yale confirmam que a pessoa normal só existe nas estatísticas. O indivíduo médio serve para identificar as características mais frequentes, mas não é de carne e osso.”

Ou seja, cabe a cada um de nós, a árdua e bela tarefa de, lidar com suas dores, sintomas, estranhezas e esquisitices para ser e estar na cultura.


Em uma passagem deste artigo temos: “Muitas pessoas decidem consultar um psicólogo por não se sentirem comuns. Poucas recorrem à afirmação "eu não sou normal". A maioria prefere expressar suas experiências: "Doutor, o que acontece comigo não é normal". Ou seja, vivenciam as experiências como algo inconfessável ou repreensível. O que esperam é que os psicólogos deem alguma garantia de que o que acontece com elas é conhecido e tratável. E a resposta deve transmitir que não devem ter vergonha e tentar expor soluções.”

Não é tarefa fácil para ninguém. Mas, há sim, possibilidades e saídas. E elas podem ser leves e divertidas. Todos temos recursos, internos e externos. Por vezes precisamos fazer uma jornada terapêutica, para tornamos tal mais claro e palpável. Mas como psicoterapeuta posso dizer que todo sistema, tem suas crises e conflitos e suas saídas e formas de resolução. Claro que isto exige de nós responsabilidade, compromisso, dedicação. Exige reconheceremos nossas limitações e dificuldades, para então buscar o que precisamos, dentro e também, fora. São, percursos, jornadas, travessias...podemos faze-las sozinho(a)s, ou e também, com auxílio de amigos, familiares, colegas, profissionais.


" A vida não é o que deveria ser. Ela é o que é. A maneira como você lida com isso é o que faz a diferença. Não devemos permitir que as percepções limitadas de outras pessoas nos definam." Virginia Satir



Utilizado para pesquisa neste texto:


Sigmund Freud - A psicopatologia da vida cotidiana (1901). Imago Editora; 1ª edição - Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud , 1996

Joyce Mcdougall - Em defesa de uma certa anormalidade - Teoria e clínica psicanalítica - Artes Médicas, Porto Alegre, 1983

Todos somos esquisitos: cientistas de Yale confirmam que a pessoa normal só existe nas estatísticas (2018) - https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/13/ciencia/1544715127_368245.html

Janeiro Branco, Outubro Rosa, Novembro Azul: o calendário colorido das campanhas de conscientização (2021) - https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/vida/noticia/2021/01/janeiro-branco-outubro-rosa-novembro-azul-o-calendario-colorido-das-campanhas-de-conscientizacao-ckjlf6qwt0012017w2tjnqwiv.html

Janeiro branco: quem cuida da mente, cuida da vida (2021) - https://www.cvv.org.br/blog/janeiro-branco-quem-cuida-da-mente-cuida-da-vida/

Reflexões em tempo de recolhimento social - Postado no Site Movimento Sistêmico (Março 2020): https://www.movimentosistemico.com/post/reflexões-em-tempo-de-recolhimento-social

Psicopatologia da Vida Cotidiana: Viver em uma Megalópole como São Paulo, 2014 (in) https://reneschubert.blogspot.com/2014/04/psicopatologia-da-vida-cotidiana-viver.html?spref=tw

René Schubert - Psicossomática: quando a Psique afeta o Soma, 2016 (in) https://reneschubert.blogspot.com/2016/05/psicossomatica-quando-psique-afeta-o.html?spref=tw

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