O Amor Pessoal é um Caminho de Bem-Aventurança.

Por Mônica Clemente.


Existe três tipos de amor: Eros que vem das entranhas e com “intenções” psicológicas. Quer dizer, algo maior atua e quer se resolver por meio dos parceiros. Há também o amor chamado Ágape, que é universal: “ama teu próximo como a ti mesmo”. E há o Amor pessoal, quando estamos em sintonia fina com o que nos guia, ficando aptos para reconhecer e desfrutar de Eros, Ágape e do Amor. Se Eros e Ágape são impessoais, a palavra em latim Amor se refere a algo pessoal, e, segundo os trovadores do século XII, começa pelos olhos até atingir o coração. Pelos olhos, especificamente, porque os casamentos eram arranjados sem que os noivos se vissem. (Campbell, 2001: 200-2002)


Não é à toa que o mito Eros e Psique vai do aspecto coletivo do amor (Afrodite) para o aspecto pessoal (Psique), quando eles descobrem o Amor um pelo outro. O Ocidente do século XII, então, inaugurou com os trovadores e o amor cortesão a possibilidade deste Amor, que ao enxergar escolhe. Escolhe o que? Perseguir a sua bem-aventurança. Imagina então como o Amor entre duas pessoas naquela época desafiava a Igreja/Estado?


A analista junguiana Marie-Louise Von Franz reforça este novo tipo de amor dizendo, na década de 1970, que a apenas 50 anos estávamos começando a casar por motivos pessoais e não impessoais. Então casar com quem se ama é novo. E Hellinger completa mostrando que o casamento (com Amor) acontece na “má consciência”: significa romper com os mandatos do nosso clã para construção de algo novo. Isto estava lá, no romance de Tristão e Isolda. Eles não aceitam violar o coração em nome da sociedade.


“Qualquer caminho que eu escolha, deve ser escolhido nesses termos; ninguém nem nada deve assustar-me e demover-me da escolha. Não importa o que aconteça, isso é a validação de minha vida e da minha ação.” (Campbell, 2001: 200).


Nem Eros nem Ágape distraem quem escolhe viver o Amor, embora possam desembocar nele. Quando o impacto espiritual do amor pessoal gera o casamento há o reconhecimento simbólico da nossa identidade, somos dois aspectos da mesma coisa. E é uma provação, segundo Campbell (2001): manter-se verdadeiro, quaisquer que sejam os sofrimentos. Ou seja, quem está disposto ao amor está disponível para dor. A dor do amor é a dor da vida. O casamento por Amor está em sintonia com a vida. Por isso também, Castanheda em sua jornada descobriu que


“Um caminho é só um caminho, e não há desrespeito a si ou aos outros em abandoná-lo, se é isto que o coração nos diz...Examinhe cada caminho com muito cuidado e deliberação. Tente-o muitas vezes, tanto quanto julgar necessário. Só então pergunte a você mesmo, sozinho, uma coisa... Este caminho tem coração? Se tem, o caminho é bom, se não tem, ele não lhe serve. Um caminho é só um caminho. ”



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