O FEMININO - O que é ser uma mulher?

Por Tonio D. Luna - Psicoterapeuta - Texto produzido para a revista Mandala.


FEMININA


“- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina? - Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar. - Então me ilumina, me diz como é que termina? - Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.”

Música da cantora Joyce

Um olhar para a natureza


Ontem, em um retiro meditativo junto à natureza, enquanto encontra o silêncio, escutei uma coruja próxima à porta de vidro. Pude observá-la por alguns minutos, imóvel para não criar um desnecessário medo dela com a minha presença. Uma pequena ave, uma floresta à frente, a escuridão em vento da noite, todos juntos, sem explicação. Pensamentos sem consistência de compreensão, tentativas de compreender a profunda simplicidade do momento. Então respirei em testemunhança da experiência pois olhava para a vida em seu princípio, o FEMININO. Sem explicações a coruja voou sem eu ver em qual direção e a partida dela já não fez mais diferença, e tornei-me ainda mais presente com a falta dela. Voei, assim como ela, em direção à escuridão. A falta, a escuridão, a vida sem compreensão me levaram a uma silenciosa gratidão. Senti a vida em princípio, sem desejar nada a mais do que aquilo. Apenas um instante que passa e se tomarmos alguns cuidados volta em um amoroso convite.

“ O homem carregará dentro de si o desejo intenso da busca da totalidade perdida. Esse é um sentimento que o impelirá ao encontro do outro (...)”.

CAVALCANTI, R. (1993). O Casamento do Sol com a Lua.

“- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?”

A filha pergunta a mãe o que é feminina, como se perguntasse o que é a vida. Ela busca uma explicação que lhe falta, uma utopia para lhe dar sentido aos seus dias de existência. Em sua resposta ela lhe diz que ela se encontrará em todo lugar, em todo encontro com o que está a volta. Assim não lhe promete caminho fácil mas convite à consciência de que feminina é algo sempre a recomeçar. Então feminina é a vida, em constantes movimentos, e nós, em cada despertar a olhamos, experimentamos e agradecemos por mais um dia a recomeçar.

A mulher

Um homem olha para uma mulher em uma fracassada tentativa de compreendê-la. Como não consegue entra em tentativas, muitas vezes agressivas, de dar nome e ação ao seu desconforto. É assim há mais de cinco mil anos e ainda se tornou pior quando o ser humano passou a ter a posse das terras. Naqueles tempos, e ainda nestes que vivemos, a mulher também tornou-se objeto de posse, como se a vida fosse possível de ser guardada em espaços fechados. Homens e mulheres assumiram este lugar, que também chamamos de machismo, de patriarcado e de tantas outras coisas distantes da vida. Quem sabe poderemos olhar a mulher como uma coruja, que não se explica nem a ela mesma, e lhe desejar a liberdade de criar seu próprio destino.

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