O FEMININO. Um olhar para o princípio da vida

Quando um homem olha para o feminino, olha para vida. Em seu encontro com as mulheres olha para a amplidão do sistema delas, dores, lutas e reconhece seu pertencimento também em seu sistema naquelas que o antecederam. Pode se assustar, se amedrontar com o desconhecido, com a sensação de falta, pode se tornar agressivo, pequeno ou pode se tornar mais homem, ainda que a definição disto seja algo muito particular. Recentemente produzi um texto para a Revista Mandala, falando sobre este encontro. Ele dizia assim:



O FEMININO

Um olhar para o princípio da vida



Tonio D. Luna - Psicoterapeuta




Um homem fala do feminino

Anima é a personificação de todas as tendências psicológicas femininas na psique do homem — os humores e sentimentos instáveis, as intuições proféticas, a receptividade ao ir racional, a capacidade de amar, a sensibilidade à natureza e, por fim, mas nem por isso menos importante, o relacionamento com o inconsciente.“
Marie-Louise Von Franz

Já trabalhando e estudando há alguns anos O FEMININO, pergunto-me no que me implica na busca deste conhecimento. O que em minha alma me faz procurar, se angustiar com a percepção deste princípio? Além das questões de tratar, como psicoterapeuta, do sofrimento das mulheres, dos abusos de uma sociedade machista, das dores das mulheres antepassadas da minha família, da dor da minha mãe em ser mulher, o que busquei curar em mim com esta experiência?


Encontrei em Jung uma compreensão sobre O FEMININO em um homem, o que ele chamou de ANIMA, um olhar para algo sagrado em mim. Compreender que isto é meu, que, apesar de ter sido despertado na minha experiência com a minha mãe, precisei desassociar a busca deste FEMININO da imagem dela, rompendo a identificação da ANIMA com ela. Esta consciência me levou a compreender por quais caminhos errados busquei meu FEMININO, deixando por vezes com o próprio corpo sofrer as consequências desta escolha.


“Todo homem leva dentro de si a imagem eterna da mulher, não a imagem desta ou daquela mulher em particular, mas sim uma imagem feminina bem definida, (…) sendo inconsciente, tal imagem, é sempre projetada na pessoa amada, e constitui um dos principais motivos da atração apaixonada ou aversão.” 

(Carl Gustav Jung)


Em meus encontros com tantas mulheres com as quais procurei uma direção saudável para o sofrimento delas, também procurei a cura do meu olhar para a vida (o princípio FEMININO). Então a todas elas eu faço um profundo agradecimento pela provocação, no encontro, para olhar à minha ANIMA, por vezes de forma serena e por tantas outras vezes de forma tão dolorida.


Compreender que a mãe é apenas a primeira projeção da ANIMA e que a busca deste princípio é algo interior é refletido em nós homens nos encontros com as demais mulheres pode levar a uma desidealização da busca da mulher perfeita, pode talvez levar a uma visão mais saudável e menos machista, agressiva, que temos sobre elas. Nada simples e, sim, um imenso trabalho interno aos homens para nos tornarmos menos os heroicos meninos que somos convidados a sermos.


Assim inicio a minha coluna na feminina Revista Mandala, provocado por ela a fazer um depoimento pessoal, como homem, de como me permitir a escrever sobre aspectos tão pessoais é um encontro com minha ANIMA. Assim sou levado a eperimentar minha alma, meu ser masculino mais vivo e a permanecer presente, mesmo quando os pensamentos me colocam em conflito e dúvida.


Anima é uma palavra originada do latim e foi originalmente usada para descrever ideias como respiração, alma, espírito ou força vital. Jung começou a usar o termo no início dos anos 20 para descrever o lado feminino interno dos homens.




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