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“O homem espera”

Por Marcos Castro.

Parece intrigante essa afirmação: “o homem espera”. Talvez rapidamente alguns possam se perguntar: mas o homem não é aquele que “vai à luta”, abre caminhos e traz a caça para a casa?


Sim, essa é uma grande força que vem do masculino. A mola propulsora que impulsiona o seguir adiante. A força de encarar o novo, desbravar mares e descortinar horizontes. E essa espera não desqualifica essa força, ao contrário, a sedimenta, dá os seus contornos e se revela no momento oportuno.


Claro que a espera se relaciona intrinsicamente ao fator tempo. E como atua esse tempo para o homem e para a mulher? Ambos agem da mesma forma?


Recordo agora de uma constelação que fizemos em Botucatu pela Rede de Proteção à Vida. A questão foi trazida por um homem e envolvia o fato de não ter filhos.


Durante a constelação ficou evidente que o assunto estava relacionado aos homens do sistema familiar e ali existia muita dor. Incialmente o processo teve início com o participante e um representante (homem). Após, outros homens foram, aos poucos, sendo inseridos na constelação. O campo estava denso, com muita energia, porém, pouco ou quase nenhum movimento físico poderia ser notado.


Foi possível observar certa impotência entre aqueles homens para lidar com toda a dor do sistema familiar. A constelação permaneceu assim por um longo período. Não sei explicitar de maneira exata por quanto tempo, mas ao menos uns 40 minutos!


E todo esse tempo com pouquíssimos movimentos físicos, mas de uma densidade energética quase que palpável. Esse também é um momento de profundo respeito e reverência do constelador, pois deve suportar, sem interferências, para que esse movimento da alma siga adiante, por si mesmo, em toda a sua pureza e força.


Terminada a constelação uma participante levantou a mão e disse: “é normal querer entrar na constelação? Minha vontade era de fazer algo”! E, claro, a grande maioria das mulheres, que ficaram de observadoras nesse caso, gostariam de ter feito o mesmo, como um grande coro dizendo: “vocês não vão fazer nada? Vocês precisam olhar de uma vez para essa situação e agir”!


Uma participante enviou um feedback depois de algum tempo. Seu namorado havia participado dessa constelação. Ela disse ter perguntado para ele o motivo de “não fazer nada durante tanto tempo”, ao que ele respondeu: “demorou? Não foi o que pareceu para mim”! Essa mesma participante concluiu:


“Participar como espectadora de uma constelação formada por 5 homens, em meio a uma grande plateia feminina, foi um aprendizado!

Como mulher, foi difícil vivenciar todo aquele campo e ter o sentimento de incapacidade em fazer algo. A vontade era de entrar e “agilizar o processo”, o que seria isso? Aquela vontade de fazer as coisas acontecerem e de se entregar totalmente aos sentimentos ali presentes. E ali sentada, pude refletir como somos diferentes, em relação a tempo, sentimentos, olhares, entrega e percepção. E a partir desse novo olhar, o sentimento de reconhecimento me preencheu. Aceitar nossas diferenças é um ato de amor, compaixão e respeito.”


Um momento bastante significativo e que se pode perceber a espera do homem é durante o processo de gestação e nascimento do bebê. O filho chega e nesse momento está totalmente lançado no colo e cuidados da mãe. E o homem serve de outra forma. Dá o suporte necessário para que essa relação entre mãe e filho possa se desenvolver da melhor forma, garantindo a nutrição e subsistência da criança e da própria mulher.


O homem sabe que este é o momento da mulher e da criança e, por essa razão, espera. O verdadeiro homem espera e, ativamente, serve. Como já disse Bert Hellinger: “a espera é o segredo da sabedoria”.


Nós, homens, queremos dizer: “queridas mulheres estamos aqui para servi-las, assim como estamos prontos para servir a todo o nosso sistema, com amor”!



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