O que busca a mediação de conflitos?

Por Rinaldo Almeida.


O que busca a mediação de conflitos? A paz através do diálogo. Paz para quem? Somente para as partes em conflito? A mediação orienta-se para a paz que beneficia toda a comunidade. Por vezes, ela é eficaz, porque alcança um acordo. Com frequência, ela não é efetiva, porque o mesmo conflito volta a acontecer. Estudos comprovam que a comunidade envolvida é responsável, não só pelo conflito, como por sua resolução. Vejamos um exemplo cotidiano.


Uma criança é agredida porque chamou o colega por um apelido que este detesta. Segundo a prática de mediação, a “vítima” precisa ser acolhida. Necessário também analisar as necessidades do “agressor” que não foram atendidas e que geraram a agressão. Possivelmente, esse apelido é usado por outras crianças na sala. O olhar sistêmico mostra que sempre existe algum grau de responsabilidade em todas as partes envolvidas no conflito. A prevenção passa pelo compromisso de todos. Por isso utilizamos as rodas de conversas para mediar conflitos escolares.


Bert Hellinger sistematizou três regras que atuam de forma impressionante na busca pela paz. Uma delas diz que aquele que gerou um sofrimento ao colega de escola precisa oferecer-lhe alguma compensação, de forma a manter o equilíbrio na relação e ao mesmo tempo evitar sua exclusão.


Em minha trajetória tive a oportunidade de participar em missões promovidas pelas Nações Unidas em países como Haiti, República Dominicana, Itália, Índia e Nepal. Nesses dois últimos países, me impressionou a forma pacífica com que as pessoas reagem aos seus conflitos do cotidiano.


Existe um sentimento de concordância com a própria realidade que os tranquiliza. Isso não significa manter a situação vigente. Gandhi liderou uma revolução contra o Império Britânico através de práticas da não violência.


Essa postura diante da vida pode ser replicada em qualquer cultura. A palavra mágica é o SIM e uma segunda regra mostra que a concordância que mais nos fortalece é aquela dirigida a quem nos deu a vida. A percepção de que nossos pais biológicos são os grandes e nós somos os pequenos pacifica-nos internamente. Tal postura gera forças para nosso maior desafio: nos diferenciarmos de nossos pais, tendo como bússola nossa intuição. A terceira regra aponta para o direito de pertencer que todos os membros de um grupo detém de maneira igual. Tanto o “agressor” quanto a “vítima” possuem esse direito.


Para me aprofundar nesse tema, escrevi um livro chamado “Mediações Sistêmicas nas Escolas” através do qual busco apresentar essas três regras básicas e falar sobre minha experiência de 20 anos em mediação, utilizando conceitos da Terapia Comunitária Integrativa (TCI) e da Comunicação Não Violenta (CNV). Todas estas abordagens possuem como pilar central a atitude do não julgamento.


Obs.: Bert Hellinger nasceu em 1925 na Alemanha. Formou-se em filosofia, teologia e pedagogia. Trabalhou durante 16 anos como membro de uma Ordem Missionária Católica entre Zulus na Africa do Sul. Viveu seus últimos anos na Alemanha, onde morreu em 2019 aos 93 anos, É o criador das Constelações Familiares.


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