O relacionamento de Casal no Movimento Sistêmico.

Por Amauri Moreira de Carvalho.

Sabemos que o relacionamento de casal é uma grande, talvez das maiores, possibilidades de crescimento para o ser-humano. Quando há o equilíbrio de troca bem estabelecido nessa prática do dar e receber, ambos crescem.


Porém quando alguém dá demasiado em um relacionamento, em breve o outro não quer manter o relacionamento porque não consegue mais equilibrar e não se trata mais de uma relação entre iguais.


A esposa não pode querer ser filha ou mãe do marido, assim como o marido não pode querer ser pai ou filho da esposa, nesse caso estariam fora da força do seu lugar, é a 2ª ordem do amor, a da hierarquia em que cada um tem seu lugar, que estaria sendo desrespeitada, mesmo que de forma inconsciente, e a tendência com isso é o casamento fracassar.


Cada pessoa é única, por isso em uma constelação familiar não se pode querer aplicar uma “receita padronizada” como se tudo fosse sempre igual. Há nuances e o constelador em sua postura adequada sabe que precisa estar aberto e sem intenção, para que o campo mostre através dos movimentos e imagens dos representantes, aquela realidade que até aquele momento agia de forma oculta. O constelador apenas apoia, esperando o próximo passo confiante que não precisa fazer no sentido da ação, mas sim estar alinhado com as ordens da ajuda que Bert Hellinger nos presenteou, para ser uma sustentação com seu olhar atento, dando lugar a todos daquele sistema em seu coração, sem julgamento.


Contudo quando se observa várias constelações sobre o tema do relacionamento de casal, alguns pontos de convergência são percebidos. Vamos usar por exemplo a questão da traição.


Quando um homem ou uma mulher traem no relacionamento e o traído finge como se nada tivesse acontecido, então não há mais equilíbrio no relacionamento e a pessoa traída ficará secretamente com raiva o tempo todo, depois é só uma questão de tempo para o relacionamento acabar.


Vou citar um movimento que surgiu em uma constelação familiar em que uma pessoa trouxe o tema dos conflitos do casal.


A representante da mulher está com raiva e o representante do homem gira em círculos. A mullher que trouxe o tema para constelar então revela que houve um momento de traição da parte dele no casamento. Ela se coloca como vítima apesar de sua incrível força. Ele foi embora. Ela olha para o marido que não quer olhar para ela e se vira de costas. Ela se sente melhor assim. O casamento acabou, não há mais nada para se fazer quanto a isso. Ela olha para o representante do marido e diz: “Agora eu arco com as consequência e vou embora”. Ela como mulher adulta diz: “Você continua sendo meu amor, o pai dos nossos filhos, eu amo esse pai dos nossos filhos, mas agora eu te liberto”. Ela também se vira de costas após a frase e ambos respiram aliviados ao mesmo tempo.


A constelação revelou a dinâmica oculta dos conflitos daquele casal e a solução, que é melhor que manter a guerra perpétua e ficar brigando na frente dos filhos. O importante é que a relação entre “o pai e a mãe” com os filhos continua, com eles compartilhando a educação dos filhos, mesmo que a relação de casal tenha terminado.


O fim de um relacionamento sempre é doloroso, quanto maior o amor, maior a dor da separação. Se amamos de fato alguma vez essa pessoa nós conservamos o amor dentro de nós e em algum momento a raiva e a dor terminam. Depois ambos estão em bons termos, mas se eles se mantêm em guerra permanente, ninguém vencerá.


Ainda dentro do equilíbrio de troca do relacionamento de casal, a pessoa que foi “machucada” pode fazer algo também, em um nível um pouco menor, para “machucar” o outro, ambos sentem a dor e assim podem se reencontrar no amor saudável e até manter o casamento, se este for a boa solução em que ambos continuam a crescer no aprendizado e na convivência conjunta, em que saem fortalecidos daquela situação que foi vista e seguem no movimento da vida.


Porém a opção do “amor cego” traz estagnação e adiar é uma maneira de morrer aos poucos, porquê não há crescimento pessoal para ambos na convivência entorpecida que não abre espaço para o sentimento no coração, seja qual for, embora a alma sempre saiba.

A constelação familiar em sua essência, sempre trabalha o assunto de vida e morte.


O amor continua de toda forma mas na relação de casal esses pequenos sinais para uma separação muitas vezes não são notados, não queremos vê-los. Então podemos olhar para as ordens do amor que descrevem bem como pode ser esse equilíbrio para uma boa relação de casal. Porque a separação já se iniciou há muito tempo antes de ocorrer de fato, quando algum dos dois começa a se retirar e a tomar seus próprios caminhos, que são caminhos que não condizem com o amor dentro do relacionamento ou algo que se o outro soubesse não poderia tolerar. E mesmo que não se fale a respeito, ambos sempre sabem porque sentem e percebem. Ter uma vida em conjunto e a manter apenas porque “de outro jeito poderia ser pior” é uma atitude miserável, podemos aprender com isso e talvez em algum momento pode haver amor a segunda vista e ali podemos com mais facilidade saber o que fazer, mas claro que ali o amor do relacionamento não será tão profundo quanto o primeiro, porém não existem as guerras.


Mesmo conhecendo isso na sua vida, quem se atreve a dar esse passo? Porque sabiamente Sophie Hellinger traz a frase “Sofrer é mais fácil do que resolver”.


Ainda pode se optar por acusar o outro para deixá-lo culpado, mas não é atitude boa para nenhum dos dois. O preço a se pagar é alto.


Quando a constelação mostra ela não faz pela pessoa e seu sistema, o próximo passo no fazer é decisão da pessoa, agora com a consciência e uma visão mais ampla, ela pode escolher melhor.


Meu desejo que essa reflexão possa colocar algo em movimento no sentido de desatar nós para que o amor dê certo, olhando para os conflitos e crises nos relacionamentos de casal com calma para os acolher como possibilidades de crescimento, indo ao encontro das boas soluções e da felicidade.


* Amauri Moreira de Carvalho é comunicador social formado pela ECA-USP

Constelador sistêmico, familiar e organizacional formado por Renato

Shaan Bertate e buscador nos caminhos da espiritualidade

Contratado da Hellinger Schule para produzir os vídeos

dos cursos de formação e seminários no Brasil.

669 visualizações

NOSSAS REDES SOCIAIS

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

Contatos: