Onde estão as Moedas?

Por Cidinha Aguilar Clemente


Joan Garriga em seu livro “Onde Estão as Moedas”, fala-nos a respeito do amor, reconhecimento e gratidão que devemos ter por nossos pais, pois a eles devemos a vida.

A forma com que descreve é muito singela e precisa, através de um sonho: o filho sente que seus pais depositaram em suas mãos várias moedas. Não sabe se são de ouro, prata, de material precioso ou não, isso não importa. O importante foi que o sonho o fez sentir-se pleno e feliz. Ele vai à casa dos pais para lhes agradecer e dizer que elas são o suficiente para seguir seu caminho.

Os pais se engrandecem por meio do reconhecimento dos filhos, sentem-se maiores e generosos.

A capacidade de receber amplia a grandeza e o desejo de dar.

A gratidão aos pais por tudo que recebemos é que nos faz perceber nosso sucesso e as conquistas ou a força nas horas difíceis no decorrer da vida tanto no âmbito pessoal como familiar, social, profissional e espiritual.

“Não há fertilizante melhor do que honrar as próprias origens” nos diz Garriga.

Isso nos dá uma força apaixonada e intensa e, diante das dificuldades, nos dá coragem e humildade para transformá-las em aprendizado.

Quando o filho não reconhece os pais, sua origem, ficando revoltados ou envergonhado, achando que o que recebemos não foi o suficiente, o filho sente o vazio, prejudicado, ferido e muito maior que seus pais: torna-se arrogante, exigente e infeliz.

Bert Hellinger diz: “Quando o filho é grande diante dos pais, é pequeno para o mundo; pequeno para os pais , o filho é grande para o mundo”.

Quando um filho reprova os pais, ele identifica-se com eles, e, não podendo acolhê-los e amá-los, não consegue amar a si próprio. Coloca sempre a responsabilidade no outro pelo seu insucesso e frustrações, ficando sempre no ressentimento, vitimismo e às vezes no conformismo.

Esse filho que não tomou dos pais aquilo que puderam dar, sente um vazio e vai querer preenchê-lo nos seus relacionamentos, profissional, social, familiar e cria expectativas, peso aos outros e fica frustrado por não ver seu vazio preenchido. É uma busca constante dessa força, dessas “moedas” que rejeitou. Só quando percebe, através de ajuda externa, terapia, constelações que esse vazio está em seus pais aquilo que eles lhe ofereceram antes e, com humildade, ter a coragem de ir buscar, é que a mudança em sua vida começa a acontecer.

Garriga diz que a sabedoria da vida muitas vezes endireita o rumo falido dos filhos.

Quando se tem a bênção dos pais e gratidão por aquilo que recebemos, conquistamos nosso lugar na vida.

A vida tem seus assuntos e seu ritmo sem deixar de ser o sonho que sonhamos, basta reconhecermos, honrar e sermos gratos a nossos pais por aquilo que puderam nos dar – a vida que já é o bastante.

As “MOEDAS” representam as experiências que tivemos com nossos pais, as agradáveis e as tristes, as afortunadas e as malsucedidas desde nossa concepção, gestação, infância, adolescência, etc.

As “MOEDAS” são tudo que recebemos em nossas raízes e a que pertencemos e tudo que vivemos de concreto da vida com nossos pais. Se negamos as moedas, precisamos restaurar o amor em relação a nossos pais, recuperar o movimento amoroso espontâneo que, como criança, sentíamos por eles.

Um trabalho importante como filhos é transformar os pesares em recursos e as dificuldades em oportunidades de aprendizagem.

Muitas vezes, como crianças, amamos cegamente, assumindo sacrifícios, cargas e culpas que correspondem a nossos pais, irmãos, avós ou a família toda. Isso nos deixa ficar em um lugar que não é o nosso, não ajudando nossos pais ou a quem estamos identificados e criando um emaranhado cortando o fluxo da vida, empacando, e muitas vezes levando a somatizações que não nos pertence. Isso tudo é feito por amor, cego e infantil, achando que nossa criança é responsável pela felicidade e o bem estar de todos.

Amor bom é aquele que olha, que vê os demais e é capaz de respeitar as dificuldades.

Quando a ordem é respeitada, o Amor que liberta flui.

Nos relacionamentos afetivos, temos que nos aceitar e amar como somos, aceitar e amar o outro como ele é, com suas qualidades e dificuldade para alcançar a maturidade com serenidade e sobretudo auto estima alinhada, com o fluxo da vida.

Aquilo que reprovamos nos aprisiona e o que amamos nos liberta.

Assim, o filho que recusa seus pais também se identifica com eles e quando se dá conta está com o mesmo comportamento e fazendo aquilo que criticava neles.

Ame e seja livre.

Os sistemas familiares atuam como um todo, como uma mente coletiva, como uma rede, tendendo a atrair e repetir o que ocorreu antes, principalmente se não foi resolvido pelo amor e aceitação. Quando um filho rejeita um dos pais, é comum que inconscientemente, procure pessoas parecidas com aquele que rejeitou.

A paz e a felicidade nas famílias vêm quando cada um ocupa seu próprio lugar.

Trazemos gravado nossa pele, em nosso corpo, toda nossa estória e, quando houve abuso, traumas, feridas e medos podemos agradecer esse nosso corpo pela força e acariciá-lo para que pulse novamente com a força da vida e possa voltar a se expor a uma relação feliz com os demais.

Nossa pele, nosso invólucro, onde está nosso Sistema Nervoso Periférico, os Dermátomos, é o receptáculo de sentimentos, emoções, traumas que ficam impressos que irão influenciar nosso comportamento na vida, principalmente em nossos relacionamentos.

Há 31 anos tenho uma frase no consultório: “DA PRÓPRIA PELE NÃO HÁ QUEM FUJA”. Graças as Constelações e Exercícios Sistêmicos podemos transmutar as dores cravadas em nossa pele e com a inclusão, respeito, aceitação e amorosidade conquistamos uma vida leve, plena e feliz.

Proponho um exercício de tomar nos braços essa nossa criança sofrida e dizer a ela:

“Imagine agora, você bebe nos meus braços...

Sinta o pulsar da respiração e o calor dessa criança... e vá percebendo sua respiração e o calor em seu corpo... Você é uma parte de mim... respeito o que lhe foi doloroso e admiro sua coragem para sobreviver... Hoje, minha querida o meu adulto cuidará de você e, depois poderemos seguir com tranquilidade e amor o nosso caminho. Nossos pais, como adultos, podem assumir a responsabilidade daquilo que lhes foi difícil ou equivocado, e você como criança, pode continuar amando-os e aceitando-os com respeito, do jeito que eles são.”

Cleantes diz: “os desafios guiam quem os aceita, mas arrastam quem a eles resiste”.

Cada pai encontra sua grandeza quando é respeitado como tal e também quando sente o direito de não ser perfeito e cometer erros

O segredo para uma vida plena, creio eu, é aceitar com alegria o que a vida nos traz e soltar com a mesma alegria quando nos tomam.

John Lennon canta: “a vida é aquilo que ocorre enquanto estamos ocupados pensando no que fazer com ela”.

O sentido da vida é vivê-la, dar o que temos para dar, receber o que temos para receber e fazer o que temos que fazer.

É estar presente no aqui agora, no hoje.

Vivamos sustentados em nossos próprios pés, em nossos próprios pais e em nossas raízes familiares transformando as moedas que recebemos de nossos antepassados, muitas ou poucas, alegres ou tristes, em riqueza para nossa vida e para a vida daqueles que nos rodeiam.

Cidinha Aguilar Clemente – Fonoaudióloga e Facilitadora em Constelações Sistêmicas Familiares.

Contato: clementecidinha@gmail.com

Site: www.cidinhaclemente.com

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