Ordem e hierarquia no nascimento de Irmãos.

Por René Schubert.

Uma temática essencial no campo das Constelações Familiares é a relação e vínculo entre irmãos. Esta ordem e relação muitas vezes precede aos filhos, pois começa na relação de casal dos pais, nas expectativas e também histórico familiar do sistema familiar do pai e histórico familiar do sistema da mãe. A ordem e hierarquia de irmãos no sistema familiar do pai e no sistema familiar da mãe, influenciam e tem relevância no relacionamento do casal e nos movimentos familiares posteriores. Sabemos disto pela constante afirmação de Bert Hellinger de que o relacionamento de casal é “uma comunidade de destino”.


Sabemos também a grande importância quanto à personalidade e dinâmica psíquica advindos da ordem de nascimento dos filhos: primogênito, segundo gênito, terceiro gênico, caçula, filho único.


A ocorrência de filhos anteriores ao relacionamento de casal dos pais e também filhos que não puderam vir, como no caso de aborto espontâneo, aborto provocado ou natimortos são também contados e tem grande importância quanto à relevância e influência sobre a ordem de nascimento e hierarquia no sistema familiar como um todo.


Muitas vezes este tema é abordados nos módulos de treinamento em Constelação Familiar e tem grande repercussão entre os participantes. Quando falamos da ordem do amor de precedência e hierarquia, a ordem de nascimento dos irmãos, meio irmãos e irmãos desconhecidos sempre é tocada e trabalhada. Famílias sociais e famílias adotivas também trazem muito esta temática, quanto à ordem, hierarquia, de filhos de sangue, não consanguíneos, ordem de chegada, momento de chegada, origem, dinâmica de personalidade e dificuldades, conflitos nos relacionamentos, vínculos.


Esta temática também é muito comum nos consultórios de psicologia e, a psicanálise debruça-se se sobre a natureza e força destes vínculos até hoje.


Este final de semana, durante o curso Genograma pelo Movimento Sistêmico, em Cuiabá, esta questão se apresentou e muitos colegas, a partir dos exercícios sistêmicos e dinâmicas práticas realizadas pediram por mais referência bibliográfica sobre a temática. Separaram-se então aqui algumas informações e reflexões que abordam esta questão:


“Para Dra. Gail Gross alguns pesquisadores consideram a ordem de nascimento tão importante quanto o gênero e quase tão importante quanto questões genéticas. É a velha história da natureza versus criação. Em minha experiência de educadora e pesquisadora, sei que não existem dois irmãos que tenham os mesmos pai e mãe, mesmo que vivam na mesma família. Por que? Porque os pais são diferentes com cada um de seus filhos, e não há dois filhos que desempenhem o mesmo papel. Por exemplo, se você é o filho cuidador, o papel de cuidador já terá sido tomado, e seu irmão escolherá outro papel para exercer na família, talvez o do realizador.


Como pai ou mãe, você se lembra bem de seu primeiro filho. Foi aquele que você vigiava quando estava dormindo, para ter certeza de que continuava a respirar. Foi o bebê que você carregou no colo e amamentou e/ou para o qual esterilizou mamadeiras por mais tempo. Esse filho é o único que terá tido o monopólio dos pais; todos os outros filhos foram obrigados a dividi-los.


O filho primogênito nasce numa família de adultos que se orgulha de cada conquista dele e teme todo machucado ou acidente potencial. O filho do meio com frequência é dominado pelo primogênito, que é mais velho, sabe mais e é mais competente. Quando nasce o filho caçula, os pais geralmente já estão cansados e têm menos tendência a querer controlar tudo. Quando você tem seu caçula, já sabe que seu bebê não vai quebrar; logo, pode ser mais flexível em termos de atenção e disciplina. O resultado é que seu bebê aprende desde cedo a seduzi e divertir vocês.


Enquanto o filho mais velho é programado para alcançar excelência e realizações, o filho do meio é criado para ser compreensivo e conciliador, e o caçula quer atenção. Assim, a ordem de nascimento dos filhos é uma variável poderosa no desabrochar da personalidade de cada um.


O primogênito provavelmente terá mais em comum com outros primogênitos do que com seus próprios irmãos. Pelo fato de ter sido alvos de tanto controle e atenção de seus pais, marinheiros de primeira viagem, os primogênitos são responsáveis até demais, confiáveis, bem comportados, cuidadosos --versões menores de seus pais.


Se você é filho primogênito, é provável que seja um realizador que busca aprovação, domina e é aquele perfeccionista que suga todo o oxigênio que há na sala. Você pode ser encontrado em profissões que requerem liderança, como direito, medicina, ou ser CEO de uma empresa. Como mini-pai ou mãe, também tenta dominar seus irmãos. O problema é que, quando nasce o bebê número dois, você tem um sentimento de perda. Ao perder seu lugar no trono familiar, você também perde o lugar especial decorrente da singularidade. Toda a atenção que era voltada exclusivamente a você agora terá que ser compartilhada entre você e seu irmão.


Se você é filho do meio, é provável que seja compreensivo, cooperador e flexível, mas também competitivo. Você se preocupa com o que é justo. Na realidade, como filho do meio, é muito provável que escolha um círculo íntimo de amigos para representar sua grande família. É nesse espaço que encontrará a atenção que lhe faz falta em sua família de origem. Como filho do meio, você é quem recebe menos atenção de sua família, e por essa razão essa família que você escolheu é sua compensação. Como filho do meio, você está em muito boa companhia: presidentes americanos notáveis e celebridades como Abraham Lincoln, John F. Kennedy, Winston Churchill, Bill Gates, Donald Trump e Steve Forbes também o são. Embora em muitos casos você só se destaque mais tarde na vida, acabará em profissões poderosas que lhe permitam fazer bom uso de suas habilidades de negociador -- e também conseguir aquela atenção que lhe faz tanta falta.


Você e seu irmão mais velho nunca vão se destacar na mesma coisa. O traço de personalidade que o define como filho do meio será o oposto daquele de seu irmão mais velho e do menor. Mas as ótimas habilidades sociais que você aprendeu por ser o filho do meio --negociar e orientar-se dentro de sua estrutura familiar-- podem prepará-lo para um papel de empreendedor num palco maior.


Se você é o caçula da família, seus pais já se sentiam confiantes em seus papéis de cuidadores; por essa razão, eram menos rígidos e não necessariamente prestavam atenção a cada passo ou marco seus, como fizeram com seus irmãos mais velhos. Assim, você deve ter aprendido a seduzir as pessoas com seu charme e simpatia.


Como filho caçula, você tem mais liberdade que os irmãos mais velhos e, em certo sentido, é mais independente que eles. Como o caçula, você também tem muito em comum com seu irmão mais velho, já que vocês foram tratados como especiais, dotados de certos direitos inatos. Sua influência se estende a toda a família, que lhe dá apoio emocional e físico. Logo, você tem um sentimento de segurança e de ter seu lugar próprio.


Provavelmente não o surpreenderá observar que os filhos caçulas com frequência encontram profissões ligados ao entretenimento, como atores, comediantes, escritores, diretores e assim por diante. Eles também dão bons médicos e professores. Como seus pais foram mais descontraídos e lenientes, você tem a expectativa de ter liberdade para seguir seu próprio caminho em estilo criativo. E, como o caçula da família, carrega menos responsabilidade, e por essa razão não atrai experiências responsáveis.


Se você é filho único, cresce cercado por adultos e, por essa razão, com frequência sabe verbalizar as coisas bem e tem bastante maturidade. Isso possibilita ganhos de inteligência que excedem outras diferenças de ordem de nascimento. Tendo passado tanto tempo sozinho, você é engenhoso, criativo e tem confiança em sua independência. Se você é filho único, na realidade tem muito em comum com os primogênitos e também com os caçulas.


Em última análise, é importante para os pais conhecer seus filhos. Ainda mais importante que a ordem em que eles nasceram é criar um ambiente positivo, sadio, seguro e estimulante. Compreendendo a personalidade e o temperamento de cada filho, você pode organizar o ambiente dele de modo a aproximá-lo de seu potencial mais pleno. Por exemplo, sabendo que o filho primogênito tem grande senso de responsabilidade, você pode aliviar a carga dele, e reconhecendo que o caçula está vivendo em um ambiente mais leniente, você pode ser mais exigente em termos de disciplina. A criança precisa ter direito de buscar seu próprio destino, seja qual for seu papel na família, e, como mãe ou pai, sua tarefa mais importante é apoiá-la nessa sua jornada individual.”


Pequeno adendo sobre Ordem e Hierarquia nas Constelações Familiares:


"Existe uma ordem em relacionamentos que atribui aos membros, mas antigos a precedência em relação àqueles que vieram depois. Denomino-a de ordem original. Neste sentido um casal encontra-se no mesmo nível, pois iniciam a relação ao mesmo tempo. O mesmo vale para os pais. Entre eles não existe uma preferência nesse sentido. Eles começam juntos. Aqui também são equivalentes. Quando eles têm filhos, o primeiro tem uma preferência hierárquica em relação ao segundo, e o segundo tem uma preferência hierárquica em relação ao terceiro. Isso não significa que o primeiro filho possui o poder de dar ordens aos outros irmãos, mas de acordo com a hierarquia, ele vem antes e, naturalmente, os pais têm a preferência hierárquica em relação aos seus filhos. O efeito é bom quando respeitamos a ordem original, por exemplo, quando uma família senta-se à mesa. Imaginem que, de um lado, estão os pais, o homem senta-se à direita da mulher, a mulher à esquerda do homem. As crianças ficam de frente para eles, primeiro o filho mais velho, à sua esquerda o segundo e assim por diante. A ordem hierárquica segue o sentido do relógio, porém, o primeiro filho pode também se sentar à esquerda da mãe, depois o segundo e o terceiro e assim por diante, de