Ordens da Ajuda.


Por Marcelo Cândido


Bert Hellinger


Posso Ajudar?


Observamos essa pergunta estampada nas camisetas de alguns atendentes e um convite para nos ajudar em nossas dificuldades... Será que para ajudar também existe uma visão sistêmica?


A ajuda pressupõe uma relação de troca entre duas pessoas, onde uma é a ajudante e a outra a ajudada. Como já destacamos em outras matérias do In Foco, toda relação humana deve guardar um equilíbrio, inclusive quando ajudamos ou somos ajudados por alguém. Hellinger descreveu as Ordens da Ajuda, observando alguns princípios para não haver uma troca desiquilibrada na relação e consequentemente provocar emaranhamentos.


Hellinger descreveu como Ordens da Ajuda:


1ª Dar apenas o que temos, e receber somente o que necessitamos

Algumas pessoas querem dar o que não tem enquanto outras pegam ou tomam aquilo que não precisam de fato. Em outros momentos exigimos do outro algo que ele não tem e não pode nos dar; em outras situações desejamos tirar a responsabilidade da pessoa em carregar ou levar aquilo que é só dela.

2ª Somente intervir ou ajudar quando as circunstâncias permitirem


Reconhecer e se submeter às circunstâncias e ao contexto das pessoas é constatar a realidade como é, e também suas limitações. Muitas situações não são modificáveis: doenças hereditárias, consequências de acontecimentos ou a culpa. Quando tudo isso não é considerado, a ajuda tem grande possibilidade de fracasso.


Muitos ajudantes observam o destino dos outros como difícil e querem modifica-lo, não porque o ajudado deseja ou precisa, mas porque os ajudantes não suportam ver esse destino e não agir. Verifica-se algumas vezes que o ajudado aceita a ajuda não porque deseja, mas porque quer ajudar o ajudante; e isso pode ocorrer na relação terapêutica onde há um emaranhamento e uma troca de papéis: ajudante vira tomador e o ajudado vira doador.


Por mais difícil que seja o destino ou a situação da pessoa ajudada, as circunstâncias devem ser expostas e encaradas abertamente e não escondidas, pois quando negamos o contexto enfraquece ambos: ajudante e ajudado.


3ª Posicionar-se como adulto diante de outro adulto


Muitas pessoas procuram ajuda como crianças e no seu amor infantil fazem reinvindicações e exigências, construindo uma relação de dependência. Procuram na verdade pessoas que representem o papel de seus pais.


Importa tratar o adulto como adulto, reconhecendo que ele tem os recursos internos disponíveis e possibilidades para iniciar um processo de mudança e assim alterar sua condição ou situação. Dessa forma, a relação de ajuda cria força e gera no ajudado a capacidade de transformação.


4ª Ajudante com olhar sistêmico e não olhar somente o indivíduo


Reconhecer que toda pessoa está inserida num contexto e sistema familiar e observar apenas o indivíduo, é ter uma imagem incompleta do que ocorre. Olhar os diversos integrantes da família e suas interligações: pais, irmãos, avós e inclusive aqueles que foram excluídos do convívio familiar ou por outras circunstâncias não puderam pertencer ao sistema é fundamental para ter uma visão mais ampla e sistêmica. Quando essas relações são observadas e trazidas à consciência, influenciam a pessoa ajudada e estabelecem uma relação de ajuda equilibrada.


5ª Amar cada pessoa da forma que ela é


Quando permitimos ao outro ser da forma que é, com suas qualidades, limitações, reconhecendo seu contexto familiar e incluímos isso em nosso coração, a ajuda é mais genuína e intensa. Ocorre muitas vezes na ânsia de querer ajudar, desejamos modificar a pessoa, ensinar o que ela deve fazer e forçar nossa visão de mundo e da vida como a solução para outro. Quando assumimos essa postura a possibilidade de ter um efeito contrário é muito grande, o ajudante fica numa posição de superioridade e a relação de ajuda fica em desequilíbrio.


A relação de ajuda é fundamental nas relações humanas e devemos respeitar a dignidade do outro, observando sempre o equilíbrio e o contexto onde estamos inseridos.

Conscientes desses princípios e ordens, podemos oferecer e receber ajuda com mais autonomia, liberdade e crescimento!


Para finalizar um texto de Bert:


“O sábio concorda com o mundo tal como é, sem temor e sem intenção. Está reconciliado com a efemeridade e não almeja além daquilo que se dissipa com a morte.

Conserva a orientação, porque está em harmonia, e somente interfere o quanto a corrente da vida o exige”.






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