Pais e filhos.

Por Cleiva Laurini Dummel.


A vida é sistêmica. Quando estamos sozinhos há fraqueza. Entretanto, há de compreender que a distância não significa solidão, pois se há reconhecimento de quem veio antes de mim tenho força no coração e na alma.


Quando estamos centrados e conectados na nossa pujança, sabendo que ela vem dos nossos pais, podemos ter um olhar para frente... um olhar prospectivo. Assim, entramos em sintonia com a bravura necessária para seguir nossos projetos: estudo, trabalho, vida familiar. Sei que, mesmo estando longe de forma física, é possível seguirmos abastecidos, pois a força deles está em nós.


Sou muito agradecida. Pelo médico permitir que meu marido, que está se recuperando de um procedimento cirúrgico, possa viajar e visitar nossas duas filhas, que vivem e estudam em Buenos Aires. Sabíamos que a presença paterna iria nutri-las, pelo fato da força do pai ser tão importante, já que funciona como uma mola propulsora para seguir na vida. Além disso, sou muitíssimo grata pela oportunidade de dar uma pausa, deixando o trabalho e outros compromissos neste momento. Havia necessidade de amor; de pai e mãe para com elas e de filhas para conosco, visto que há uma compensação natural e equilibrada, já que ao darmos recebemos.


Quando digo que a vida é sistêmica, significa que ao visitá-las, não estamos sozinhos... trazemos toda forca ancestral. Ao contrário do que parece, não é uma carga pesada, pois quando tomamos consciência que tomamos apenas o que nos cabe é reconciliador e reconfortante. Trazemos apenas o essencial. Trazemos todos como foram e como são.


Como dito por Bert Hellinger, de forma muito particular e amorosa, “Atrás de mim estão todos os meus ancestrais me dando força. A vida passou através deles até chegar a mim e, em honra a eles, eu a viverei plenamente”, ou seja, apesar de vivermos uma lealdade inconsciente, podemos sim aprender honrá-los sem repetir padrões. Dessa forma, seguimos mais potentes se olharmos com amor dando um lugar em nossos corações a todos e a tudo como foi e como é, entendendo que cada um teve e tem um papel importante em nossas vidas. A nós cabe reconhecer seus esforços, que foram na medida dos recursos que cada um tinha naquele momento.


Portanto, só poderemos dar aos nossos filhos o destemor necessário para seguirem firmes e em paz depois dessa aceitação e reconhecimento, porque “Uma pessoa está em paz quando todas as pessoas que pertencem a sua família tem um lugar em seu coração”. Assim honramos de forma legítima os nossos antepassados e seguimos, podendo levar até nossos filhos o nosso sistema familiar e dizer: vocês não estão sozinhos. Vocês nunca estão sozinhos.


Cleiva Laurini Dummel

Advogada/Mediadora Judicial e facilitadora sistêmica.

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