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Pedagogia Sistêmica.

Por Gianeh Borges.


A pedagogia sistêmica foi aplicada pela primeira vez pela pedagoga e psicoterapeuta Marianne Franke-Gricksch que após ter conhecido as constelações familiares com Bert Hellinger a levou para a escola e seus alunos. Compartilhava seus relatos com Bert que a estimulava a escrever sobre suas experiências. Assim o fez. Hoje a Pedagogia Hellinger proporciona unir família x escola, professor x alunos.


Inicialmente Marianne Franke aplicava constelações na escola e foi descobrindo que deveria separar a escola dos processos psicoterapêuticos, pois utilizando as leis sistêmicas era possível desenvolver atividades terapêuticas sem fazer terapia.


Uma escola envolve vários processos e “descobre” dinâmicas antes encobertas. Medos, inseguranças, dificuldades de aprendizagem, abandonos, bullying, e quantos outros, tanto em relação aos pais, quanto aos professores e alunos.


Se o professor está em paz com sua família de origem ele consegue chegar até o aluno de coração aberto. Reconhecer e respeitar na criança o que já existe, seu destino e da sua família, não importando o seu ponto de vista, mas aceitando exatamente como é, por tudo que ela traz consigo. Deve renunciar ao desejo de ajudar a criança a superar as limitações de sua família de origem. Dessa forma ele se coloca apenas como o professor e o aluno pode ter disposição para aprender com ele.


A pedagogia sistêmica possibilita trazer recursos, olhar para as soluções, fortalecer as forças e enfraquecer as fraquezas. Olhar para o contexto familiar do aluno como uma ferramenta de aprendizagem na escola.


Um exemplo numa sala de aula:


“Após solicitar que preenchessem seu genograma familiar Mateus, de 11 anos, começou a provocar seus colegas, evitando fazer a atividade e causando tumulto aos que estavam por perto, como sempre fazia, segundo disse sua professora. Cheguei até ele e perguntei com quem ele morava, ele respondeu que era com sua mãe, avó materna e seu padrasto, e que seu pai tinha fugido de casa quando ele era menor e havia batido na sua mãe com uma faca. Então perguntei:


– E você gostaria de colocar o nome do seu papai no genograma?


– Eu posso? Ele perguntou.


– Pode sim, experimente. Ele desenhou da seguinte forma:

Observei com ele que sua figura era maior que a dos pais e ele disse que precisava ser assim pois dessa forma ele podia cuidar dos dois para que quando estivessem juntos não machucassem um ao outro.


A partir dessa atividade todos os genogramas foram colados na parede em volta da sala de aula, e foi dito a eles que sempre que sentissem alguma dificuldade era só se dirigir até lá e conectar novamente com a força que vem de seus pais. E Mateus ficou muito feliz com essa possibilidade pois lembrou que era bom jogador de bola, igual a seu pai e desde então passou a se relacionar melhor com seus colegas”.


Para onde olha o amor da criança?


Nesse caso, olhava para a ausência do pai. Não se via no pai, e não via o pai nele.


As crianças sempre amam seus pais incondicionalmente, mesmo que não estejam disponíveis. E o professor olha com amor para onde o amor da criança olha.


Como cita Bert Hellinger – “todas as crianças são boas, e seus pais também”!


A pedagogia sistêmica propõe à escola desenvolver a postura, visão e a atitude sistêmica através da aplicação das três (03) Leis sistêmicas do (1) Pertencimento, do (2) equilíbrio de dar e receber, e da (3) ordem.


A partir do momento que conhecemos nosso lugar, damos lugar ao outro, e através de exercícios sistêmicos ampliamos nosso olhar e permitimos que as diferenças se transformem em recursos em prol do desenvolvimento da educação das crianças.


Constatamos que a simples frase repetida entre eles, transforma as relações, inclui, equilibra:


“Eu vejo você”!


“Eu estou aqui”! O outro responde.


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