Pessoas ideais ?


Por Adriana Batista.


“O que é mais importante para você, as pessoas ou os ideais? O que você sacrifica pelo quê: as pessoas pelos ideais ou os ideais pelas pessoas?” Bert Hellinger.


Imagine que você consiga salvar-se de uma tragédia (uma enchente, por exemplo), então você tem a oportunidade de salvar outra vida. Estando num local sólido, você estende a mão a alguém já sem forças para alcançar o abrigo. Agarrado ao pulso da pessoa, faz algum sentido perguntar qual a sua religião, time de futebol ou orientação política, como condicionante para salvar-lhe a vida? No entanto, por conta desses ideais, muitos agridem e até matam de consciência leve. Ao focarem os ideais, perdem de vista o ser humano, o semelhante à frente, o sentimento de que todos somos um. Quando nos filiamos a um grupo, em nome do Pertencimento somos capturados pelo ideal daquele sistema: perdemos a capacidade crítica para contestar ideias de dentro (até as mais esdrúxulas) e aceitar ideias de fora (inclusive as mais coerentes). Funciona como um transe e nenhum argumento racional é capaz de nos demover. Isso ocorre porque nossa consciência ancestral toma o Pertencimento como uma questão de vida ou morte, pois quando éramos nômades e vivíamos em cavernas, o grupo garantia a sobrevivência. Por isso, somos capazes de desejar o extermínio de estranhos ao nosso sistema, de cometer atos ilícitos ou imorais e de defender aos congêneres que o façam, tudo isso de consciência leve! Ter consciência pesada ou leve, curiosamente não tem a ver com fazer o mal ou o bem, mas com fazer algo que põe em risco ou garante o Pertencimento. Portanto, indignar-se com a cegueira de alguém pertencente a outro grupo, diz respeito à nossa própria cegueira enquanto inseridos no nosso grupo, em outras palavras, o conhecido efeito sombra. Quanto menos reconhecemos nossa sombra, quanto mais nos indignamos contra a sombra alheia. Qual a solução? Aceitar que na condição de membro de um grupo padecemos de cegueira e de efeito sombra, tal qual aqueles que pertencem a outro grupo. Assim, posso acolher minha limitação e não indignar-me com a alheia. A outra forma é, não pertencendo a nenhum dos sistemas postos, distanciar-me das paixões em jogo e procurar perceber como atua o amor de cada um deles. Desistir de classificar bem e mal e olhar de maneira mais ampla, em direção a algo maior que atua para além deles, o pano de fundo, o destino que liga a ambos, a necessidade de oposição e dualidade que permite alcançar o equilíbrio do caminho do meio (afinal, toda virtude extremada, degenera). E ter humildade: vivenciarmos tudo isso de forma humilde, reconhecendo que mesmo de fora temos pontos cegos, projeções e sombras. TIRANDO OS IDEIAS DE CENA, RESTAM APENAS AS PESSOAS. Sem os ideias, acaba a ilusão de que somos mais importantes (eu o bem, você o mal; eu lúcido, você estúpido,...).


Todos somos UM.


EU SOU VOCÊ.


Fonte: “Pessoas ou ideais? O que você sacrifica pelo quê?” Em “Um Lugar para os Excluídos” – Bert Hellinger


Adriana Batista - Experiência Sistêmica

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