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Refletindo a partir do conceito de trangeracionalidade.

Por Rene Schubert.


Temas relacionados: Herança; Epigenética; Transmissão psíquica entre gerações; Genograma; Memória celular; Biologia e Crença.



Segue algumas colocações acerca da importância da Transgeracionalidade - do estudo e conscientização de nossa origem e histórias familiares. Um processo que pode ser feito a partir da pesquisa tanto genética, cultural como do histórico disponível de nossa família. Há histórias leves e conhecidas. Há histórias silenciosas e delicadas. Há histórias pesadas e tristes. E há também historias encobertas e/ou excluídas. A terapêutica das Constelações Familiares pode ser uma importante abordagem para levantar, tomar consciência e reconhecer partes destas histórias. Assim como outros métodos terapêuticos como a psicoterapia, terapia sistêmica familiar e/ou métodos clínicos de investigação genética.


Inicia-se com uma animação acerca do Trauma Intergeracional, para ilustrar a temática. Esta animação narra breve e ilustrativamente sobre o trauma sofrido pelos povos Aborígenes, na Austrália - sua origem, sua cultura, suas cerimônias, a violência da colonização, a perda da identidade, a ruptura com as raízes e suas consequências nas gerações vindouras. Produzido por The Healing Foundation. Tradução livre do inglês para o português por René Schubert.

https://www.youtube.com/watch?v=vlqx8EYvRbQ


“A história de toda comunidade - Pessoas e nação - Começou há muito tempo atrás.


Na verdade, há mais de 60 000 anos atrás. Isto foi quando nossa cultura e leis primeiramente nos fizeram prosperar. Nós sabíamos quem nós éramos e ao que pertencíamos. Cuidávamos uns dos outros, de nossa terra e de nossas águas. Comíamos comida que nos fazia bem, vivíamos da e na terra permanecendo fieis às nossas leis e canções. Nossas famílias, nossos filhos, eram felizes, com coração e mentes fortalecidas pois estavam aonde pertenciam.


Mas então, tudo mudou. A colonização chegou. Trazendo guerra, doenças, fome, violência e a destruição e violação de nossas leis culturais, de nossos locais sagrados, famílias e comunidades.


Nos foi negado acesso ao nosso conhecimento, à nossa língua, as cerimônias e nossa identidade. Estas coisas que nos diziam quem nós éramos e de onde vínhamos (e à qual pertencíamos). E nossa conexão uns com os outros. Assim a terra cresceu frágil. E então, nossas crianças nos foram tomadas. Tiveram seus nomes trocados e sua identidade arrancada. Lhes foi dito que o povo aborígine era mau. Pior ainda, lhes foi dito que seus pais e avós não os queriam mais. Por anos, isto aconteceu. E estas crianças ficaram conhecidas como “A geração roubada”. Às nossas crianças lhes foi negado o amor e estas vivenciaram abusos de natureza física, emocional e sexual. Isto deixou feridas muito profundas, muito complexas, e muito reais. Deixou cicatrizes que ainda são sentidas pessoalmente, socialmente, espiritualmente e coletivamente.


No tempo em que nossa história começou, conseguíamos nos vincular à nossa cultura e seus caminhos de melhor forma. Vimos nossas famílias sobreviverem e prosperarem por várias gerações. Nosso povo era forte e nossa cultura fluía em e por nós, nos curando em tempos de dor.


Porém desde o trauma da colonização e da “geração roubada”, não conseguimos mais nos curar da mesma maneira. Sem saber passávamos este trauma adiante aos nossos filhos através da partilha de nossas tristezas e tendo neles testemunhas, vivenciando nosso sofrimento. Isto é conhecido como trauma intergeracional. E vemos sintomas disto hoje, nos relacionamentos quebrados, nas famílias desconectadas, violência, suicídio e no abuso de álcool e drogas.


Mas não é aqui que nossa história termina. Ainda temos corações e mentes fortalecidas e nós ainda sabemos quem éramos e aonde pertencíamos. Daremos apoio às nossas famílias para se libertarem do sofrimento, criando comunidades fortalecidas e unidas. Construiremos uma força de identidade que nos fará retornar à nossa cultura. Assim podemos interromper o ciclo do trauma e trazer um pouco de mudanças intergeracionais positivas. Podendo assim continuar a prosperar pelos próximos 60 000 anos. Há coisas muito simples que todos nós podemos fazer que podem ajudar a curar o nosso trauma. ”


Do site ABC Saúde temos a seguinte definição: “O estudo da Transgeracionalidade ou da transmissão psíquica entre gerações, demonstra a importância do legado que é herdado dos antepassados e que constitui a riqueza dos costumes e tradições. Observa-se, por exemplo, essas características nas famílias de imigrantes, que preservando suas culturas de origem, mantém vivos a história de seus ancestrais, na medida em que valorizam o significado de sua herança e os transmitem à seus descendentes.


Nesse processo de transmissão, que pode ser tanto de aspectos positivos, quando aqueles considerados negativos, se forem feitos de viva voz, ou seja, quando são falados entre uma geração e outra, com espaços para serem pensados, discutidos e elaborados, maior será a possibilidade de se tornar assimilados e enriquecerem a vida psíquica e a vida de relação dos indivíduos que compõe essa família.


Inúmeras vezes não é assim que acontece, principalmente quanto aos assuntos considerados negativos, ou condenados e vergonhosos. Nesse caso é freqüente observar-se um silêncio, uma interrupção nos diálogos, criando um clima de suspense e de interrogação entre as pessoas, principalmente para a geração seguinte que ouve a história entrecortada. Paira no ar um clima de mistério, até de constrangimento, de dúvida e desconfiança. O que se passa por aqui? ou o que não querem ou não podem nos contar? Sentimentos de incertezas, inseguranças brotam nas mentes dos descendentes originando pensamentos fantasmáticos de qualquer natureza, impedindo que essas pessoas construam sua própria identidade, alienadas que ficam nos mandatos de outros.


Por mais vergonhoso ou trágico que seja o conteúdo calado é imprescindível que ele venha à tona, que não seja enclausurado dentro da mente dos descendentes, para que esses se sintam verdadeiros herdeiros de sua origem e possam dar continuidade à sua história.


Quando isso não é possível acontecer de forma natural, pode-se pensar em procurar uma ajuda profissional que certamente criará um espaço para que essas demandas sejam acolhidas e elaboradas."


Em outro artigo encontramos uma importante definição para o assim chamado Trauma Transgeracional, que é um aspecto com o qual a Constelação Familiar atua com frequência. Lembrando que hoje, na Alemanha, Áustria e Estados Unidos, é comum profissionais da saúde utilizarem diversas ferramentas terapêuticas para auxiliar seus clientes a lidar com quadros traumáticos. Por vezes associando diferentes técnicas e metodologias para alcançar melhores resultados terapêuticos como: Traumaterapia, Somatic Experience, Hipnoterapia, Cinesiologia Aplicada, Constelações Familiares, entre outras. Neste sentido também temos de lembrar das importantes descobertas trazida para o campo por meio da Epigenética e do conceito de Memória Celular.


“O trauma transgeracional é um impacto, uma transferência na qual a dor emocional, física ou social sofrida por uma pessoa em um dado momento é transmitida às novas gerações de maneiras que vão muito mais além do simples comportamento aprendido. Falamos principalmente de epigenética e sobre como a influência do ambiente pode mudar a expressão de determinados genes. O tema não é novo. Na verdade, o trauma transgeracional ou intergeracional tem sua origem de estudo datada de épocas posteriores à Segunda Guerra Mundial. Foi nesse período que vários trabalhos conseguiram comprovar como as gerações seguintes aos sobreviventes do Holocausto apresentavam determinados comportamentos (pesadelos, problemas afetivos e comportamentais) nos quais ficava em evidência que o trauma original dos avós continuava presente de várias maneiras nos netos. As gerações seguintes da pessoa que sofreu o trauma original não vão desenvolver obrigatoriamente os mesmos transtornos, mas serão muito mais vulneráveis do que outras pessoas à ansiedade, ao estresse e à depressão.”




E, a partir de Bert Hellinger: "O que uma geração deixou por resolver, será encargo da próxima, inconsciente e inocente, tentar resolver. E assim, presa à temas e assuntos que não são realmente a sua responsabilidade, há uma transmissão transgeracional de problemas familiares que, por vezes, criam uma cadeia de destinos trágicos ou difíceis".



Referências para estudo:


BBC Brasil (Acessado em Agosto 2019) - Pais podem transmitir traumas aos filhos pelos genes, creem cientistas - https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150826_trauma_genetico_fn

G1 (Acessado em Agosto 2019) - É possível herdar traumas de nossos pais? https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/05/09/e-possivel-herdar-traumas-de-nossos-pais.ghtml

A mente é Maravilhosa (Acessado em Agosto 2019) - O que é trauma Transgeracional https://amenteemaravilhosa.com.br/trauma-transgeracional/

ABC Saúde (Acessado em Agosto 2019) - A Importância da Transgeracionalidade - https://www.abcdasaude.com.br/psicologia/a-importancia-da-transgeracionalidade

Temas em Biologia ( Acessado em Agosto 2019) Estudos no campo da epigenética auxiliam a compreensão da influência de fatores ambientais sobre a nossa saúde e comportamento: encurtador.com.br/dkryB

Intergenerational Trauma Animation - https://www.youtube.com/watch?v=vlqx8EYvRbQ

Trauma Intergeracional: https://aconstelacaofamiliar.blogspot.com/2019/07/trauma-intergeracional.html

Destinos – Transmissão transgeracional: http://aconstelacaofamiliar.blogspot.com/2015/11/destinos-transmissao-transgeracional.html

Repetição, um ciclo fechado em si? http://aconstelacaofamiliar.blogspot.com/2011/10/repeticao-um-ciclo-fechado-em-si.html

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