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Reflexões sobre o trabalho sistêmico.


Por Marco Almeida.


O trabalho sistêmico requer um contexto, tem a ver com expandir o olhar, olhar de forma ampla, desenvolver um pensamento múltiplo, sempre a perguntar: ‘Na realidade, o que me estás a dizer?’


É um pensamento em espiral, sempre a fazer perguntas para estar em contato com o outro, no seu contexto. Se eu olho para o meu parceiro fora do seu contexto familiar então não o vejo, devo olhar o meu parceiro e todo o seu contexto familiar, devo desenvolver pensamento sistêmico.


Nada do que fazemos está errado, não devemos arrepender-nos do passado porque tudo foi por algo. Com pensamento linear, mecanicista, não podemos aprender física quântica, para isso temos de ter pensamento sistêmico.


A vida é quântica, com energia, e por isso precisamos de pensamento sistêmico. Quando eu quero que a minha vida seja como eu quero, não funciona porque é o meu ponto de vista, é um ponto, não tem contexto, mas esse ponto de vista defendo-o com capa e espada porque creio que é a verdade. 


E depois encontro alguém com o seu ponto de vista e argumentamos cada um com o seu ponto de vista, não chegamos a lugar nenhum. 


A visão sistémica trata de expandir o olhar, olhar de forma ampla, de contextualizar, de ver todo o mapa do metrô! 


Sem olhar para a nossa família e seu contexto estamos perdidos


Onde estou? Estou num ponto, num lugar e só posso evoluir de acordo com a minha história, com o que está resolvido, e cremos que o que não está resolvido fica para a próxima ‘temporada’.


Ampliar o olhar significa olhar para tudo sobre a minha Mãe, olhar para tudo sobre o meu Pai. Quando há dois Pais, um biológico e outro adotivo, que história devemos olhar? A que o sistema permite, por vezes, as duas, e dão-se milagres sistêmicos.


Como desenvolver este pensamento sistémico?


Não podemos ser consteladores e ter o nosso ponto de vista, pois um ponto de vista tira-nos o pensamento sistêmico. O ponto de vista fecha a mente e o coração e, assim, não há aprendizagem. 


Quanto mais defendo um ponto de vista, mais estou em depressão porque estou em luta. Encontramos a serenidade quando respeitamos o contexto, pecado é fazer algo contra mim mesmo, é fazer algo fora do lugar. 


Por exemplo: um filho que ‘sustenta’ a Mãe à base de conflitos (por amor) porque assim a mantem ‘viva’. Fá-lo por amor cego, o amor claro vê o contexto, vê o marco histórico, requer soltar o ponto de vista e é um trabalho muito difícil, mas se o fazemos facilita-nos muito a vida.


No amor cego digo, ‘Mamã não te vejo a ti, vejo a mamã que eu quero que sejas’, e as mães com frequência pagam um preço elevado para que os filhos sejam bem-sucedidos. Tudo tem que ser visto no seu contexto, caso contrário tudo é censurado, o mais fácil é criticar, dar sentenças.


Fazer tudo com o coração e reconhecer os meus limites


A arte de ajudar significa reconhecer os meus limites, respeitar a 1ª ordem da ajuda, ou seja, não dar algo que não tenho, pois quando o faço ultrapasso os meus limites e, ao mesmo tempo, obrigo o outro a romper os seus limites. 


Quando respeito os limites acontecem milagres sistêmicos. Para isso, solto os meus pontos de vista e deixo de querer ser herói. Não posso olhar para a vida dos outros sem olhar para a minha primeiro. 


Os melhores no pensamento sistêmico são os biólogos porque estão habituados a observar os ecossistemas e a realidade já lhes diz tudo. 


Se um sistema tem margem de liberdade e pode mover-se, é sustentável, mas se o sistema é restringido, perde sustentabilidade. 


O que Bert Hellinger faz é dar graus de liberdade ao sistema. Bert diz: ‘Reconhecer o que é!’


Quando quero restringir algo, o processo explode! Quando digo: ‘Vou fazer-te feliz’ e vivemos em função disso, o processo não funciona, explode! Os sistemas adaptam-se, evoluem.


Bert diz: “todos atuamos por amor, quando culpamos paralisamos”


Sobre as ordens do amor ou princípios básicos de vida, temos o Pertencimento (que nos traz a noção de tempo e de lugar), a Hierarquia (determina a função no sistema), e o Equilíbrio (entre dar e receber). 


A alma é a informação interna que levamos conosco, é a essência. Porque estamos na vida sem noção dos princípios básicos de vida precisamos de formação, de aprender e sobretudo de aplicar os princípios básicos de vida. 


Bert diz: ‘qual o antidoto da tristeza? É aprender!’.


Conhecer os Pais é uma aventura única e quando não conhecemos um ou os dois, a informação deles está presente em nós, na nossa alma. 


O melhor presente que as mães podem dar aos filhos é entregá-los ao papá. O campo de informação está sempre conosco e atua ou sim ou… sim! 


A liberdade é pequena (Bert Hellinger), mas quando a tomamos é grande.


Eu conheço a minha mãe e o meu pai! Não conheço o marido da minha mãe nem a mulher do meu pai. A minha mãe como mãe é ótima e o meu pai como pai é ótimo. Também não conheço os filhos dos meus pais, conheço os meus irmãos.


Ter alguém ao nosso lado é um presente da vida, e temo-lo sobretudo quando temos filhos. Neles, o casal está presente para sempre. 


Quando não há filhos o vínculo fortalece-se quando há respeito pelo destino um do outro. O vínculo debilita-se com a exigência. A exigência é uma falta de respeito, falta de respeito também ao sistema! As relações necessitam de equilíbrio, cuidar das relações é a arte da vida.


Como ensinar as crianças a fortalecer os vínculos? 


O ponto mais importante é ensinar a fortalecer os vínculos e cuidar das relações, sendo o vínculo mais importante a fortalecer, o que temos com a mãe, pois é o ponto de partida da vida.


Os filhos na adolescência têm de ‘reclamar’, é sua função para se encontrarem, e assim se vão separando do seu sistema, nutrindo-se com a escola e com os amigos. 


Quando um filho diz aos pais que os odeia a tradução é: ‘preciso encontrar-me’. Mais tarde quando regressa à casa (o regresso do herói), e ocupa o seu lugar, acontecem milagres sistêmicos, porque o seu lugar é o menos visitado.


Ser sistêmico é reconhecer os vínculos, reconhecer o que te fortalece a ti e a mim!


Separação não significa exclusão, às vezes tenho de me separar porque por exemplo, o campo da mãe é demasiado denso e tenho de ir para me desenvolver.


Num casal, o homem não pode resolver as questões do sistema da mulher e vice-versa. O que podem fazer é aprender com o que cada um mostra ao outro, pois mostram o que falta no sistema de cada um. 


Depois, cada um volta-se para o seu sistema e diz: ‘ali mostram-me o que nos falta, por favor permitam-me tomar, é para todos, é um presente, ali não há ameaça’.


Na relação, um não pode ver o sistema do outro porque é o espaço do outro, então o que fazer? Dar pequenos passos até que se encontrem: agora sim é o espaço dos dois. O grande presente de uma relação é que o outro me mostra algo que me falta.


Os casais são cúmplices na vida: eu salvo-te e tu salvas-me. Às mulheres basta que façam a sua parte para que os homens tomem a sua força. Os homens não precisam de ajuda para tomar a sua força, basta que as mulheres façam a sua parte.


Na vida, é importante fechar ciclos, assuntos, completar 


Por vezes, damos assuntos por completos mas na alma não estão completos. Dizer sim, assim como foi, é perfeito, e esquecer o que devia ter sido! O que foi, como foi, está perfeito!


Confiar no movimento, não podemos fazer-nos responsáveis pela vida dos outros, senão soltamos a nossa vida. Quando aceito o que foi e como foi e está completo, declaro: Está completo! 


E assim vou adquirindo serenidade. Quando declaro algo completo, na minha alma logo algo novo se abre.


Por vezes, os casais ‘completam-se’ ou seja, as pessoas vêm com uma missão, cumprem-na, vão-se embora e a relação termina. 


Nestes casos, agradecemos. Em todos os lugares em que estivemos, tivemos um lugar, e agradecemos.


Relação com a mãe é a relação com a vida


A relação com a mãe, contudo, jamais está completa, é um trabalho para toda a vida, todos os dias, todas as horas. Tomamos a mãe 3 vezes por dia, antes e depois de cada refeição 😊.

Se tenho uma relação difícil com a mãe, tenho uma relação difícil com a vida. Quando alguém diz: ‘A vida deve-me algo’, a tradução é: ‘A mãe deve-me algo’. O que surge com esta atitude? Dificuldade e doença.


A Alegria é Masculina!


As crianças ficam mais alegres quando estão com o pai! Sem Alegria instala-se a incerteza. A energia que leva a vida adiante é a masculina. Quando o homem não está, não há vida, não há alegria! 


Podemos contar muitas histórias, mas o essencial é isto e deve ser ensinado às crianças.

É esta dança de aproximação entre homens e mulheres (dos rituais que se estão a perder) que dá outra alegria, outro sabor à união. O essencial é dar suporte, sustento à vida.


A alegria tem um potencial imenso, se por alguma razão a alegria esteve ausente do sistema, há sempre oportunidade de que apareça novamente. E quando aparece é uma alegria para todo o sistema. 


Neste sentido, a alegria é masculina, e a saúde é essencialmente feminina.


Nós somos o produto criativo da união entre o masculino e o feminino, e é muito importante que os homens possam conviver com os filhos. 


O primeiro passo é que as mulheres permitam que os homens tenham conexão com os filhos. A falta de conexão com os filhos acontece mais por questões da relação entre homem e mulher do que pelo contexto social. 


No final, o essencial é que como filhos queremos sempre mais contato com o pai (alegria) e com a segurança e abundância da mãe.


Sejam como sejam, são sempre os pais que nos amparam!


Com gratidão,


Marco Almeida.






DeOutroLugar – Soluções Sistémicas®

Assessoria Pessoal e Empresarial, Pedagogia Sistémica

E: marco.almeida@deoutrolugar.com |

T: 00351 967050512 |

F: https://www.facebook.com/solucoessistemicas/


Nascido em Moçambique em 1971, casado com a minha bela esposa Sara, com 3 filhos maravilhosos, uma menina, Ana, e dois rapazes, Pedro e João.


Estudei engenharia e tornei-me especialista em eletrónica e em serviço a clientes, com pós-graduação executiva em Gestão pela Universidade Católica.


Profissionalmente comecei como formador, por 6 anos, e durante 20 anos trabalhei em empresas multinacionais em áreas técnicas, operacionais e de gestão, inicialmente como membro da equipa técnica e posteriormente como gestor da operação.


Em várias viagens de trabalho tive oportunidade de conhecer outros países e culturas na europa e na ásia, o que aumentou o meu interesse e curiosidade pelas ciências alternativas.

Este caminho levou-me a passar pelo Coaching, Análise transaccional, Constelações Familiares em Portugal e na Hellinger Schule® (escola do filósofo e professor alemão Bert Hellinger) na Alemanha, Meditação e Cosmic Power também na Hellinger Schule®, Pedagogia Sistêmica com enfoque de Bert Hellinger pela La Montera em Sevilha, Espanha, e em complemento o Scalar Heart Connection® de Stephen Linsteadt.


A constelação familiar tem estado na minha vida desde 2007 e tem ajudado muito em todos os aspetos da vida cotidiana, para uma melhor compreensão de mim mesmo, melhorou muito o relacionamento com os meus pais e tem sido maravilhosa para mim e minha esposa e para nossa vida juntos e com nossos filhos.


Formado pela Hellinger Schule® em Constelação Familiar Original Hellinger®, sou formador e trabalho com constelações familiares em grupo e também sessões individuais.


Com gratidão,

Marco Almeida








DeOutroLugar – Soluções Sistémicas®

Assessoria Pessoal e Empresarial, Pedagogia Sistémica

E: marco.almeida@deoutrolugar.com |

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