Salvador! Eu?

Por Aline Charane



Já ouvir falar em Arquétipo do Salvador?


O termo vem da análise transacional e foi desenvolvida por Stephen Karpman, psiquiatra e professor. Ele desenvolveu um modelo comportamental que destrói as relações e deu o nome de: triângulo dramático de Karpman. Foram classificados três modelos comportamentais representados em papéis. As pessoas que estão presas no triângulo dramático estão sempre passando por algum destes papéis em suas relações; são eles: Perseguidor, Salvador e Vítima.

Hoje vou falar um pouco sobre o Arquétipo do Salvador, encontrado muitas vezes nos profissionais de ajuda: Terapeutas, Psicólogos, Assistentes Sociais, Advogados, Professores, etc.

O Salvador é aquele que vive cuidando dos outros. É cheio de bondade e carrega o peso do mundo nas costas, é comum inclusive essas pessoas possuírem muitas dores nos ombros. A prioridade é sempre o outro. Acredita que consegue resolver tudo. Muitas vezes ajuda as pessoas mesmo quando elas não estão pedindo ou precisando de ajuda. Carrega um sentimento inconsciente de inferioridade misturada com uma culpa. E uma forma de se sentir merecedor de amor é se deixar de lado em prol do outro.

O Salvador acredita realmente que se compadece dos demais e se sacrifica por eles. Porém no inconsciente o que ele de fato quer é receber amor e reconhecimento. Geralmente é uma pessoa muito querida por seus atos de sacrifício. Os Salvadores se sentem responsáveis pela felicidade dos demais e fará tudo para acalmar os ânimos nos lugares que vão, pois não toleram estar na presença de qualquer conflito.

Além de ser quase impossível tomar uma decisão que satisfaça as suas próprias necessidades. Quase nunca fala sobre suas próprias necessidades e sentimentos e menos ainda os deixa prevalecer. Ainda mais se for algo que vai incomodar os outros. Para evitar entrar em contato com suas questões íntimas, é comum ocupar o seu tempo com muitos afazeres, tornando as relações distantes e superficiais, pois ninguém realmente o chega a conhecer a fundo.

Porque é importante reconhecer um padrão comportamental de Salvador e quebrar o ciclo?

Muitos dos trabalhadores de ajuda são Salvadores por natureza. E o cuidado e apoio que direcionam para os outros na verdade o queriam para si, mas não encontraram na infância ou ainda não encontram. São pessoas que tem dificuldades em dar limites e dizer “não”.

Quando não conhecemos nossos próprios limites, desconhecemos os limites dos outros, invadindo, por assim dizer, o seu espaço. Nesse momento, tiramos a força da alma dessas pessoas. É como se disséssemos: “Você é fraco, não dá conta, eu sou forte e resolvo isso para você”.

Nesse caminho, o Salvador perde também a sua força. Ele vira um camaleão, fazendo tudo para agradar os outros, pois, como não tolera conflitos e qualquer tipo de rejeição, ficará dependente do outro, mesmo que num nível superficial pareça o contrário. No caso dos profissionais de ajuda, estes ficam dependentes de seus clientes, embora afirme o contrário.

Como sair do ciclo vicioso?

Quem está na Posição de Salvador, pode aprender a sair deixando de ajudar quem não pede ou não precisa ser ajudado, acreditando na capacidade das pessoas de existirem com autonomia e acreditando que pode ser amado pelo que é e não apenas pelo que faz pelas pessoas.

Os Salvadores precisam cuidar de sua própria vida. Abandonar a necessidade de aprovação dos outros. Aprender a dizer “não” e a dar limites, mesmo que no início haja culpa. Só se meter nos assuntos que for chamado ou que seja de sua incumbência. Deixar de proteger demais os outros. Aprender a expressar suas necessidades. Aprender que os conflitos podem ser uma oportunidade de crescimento. Soltar as responsabilidades pelo mundo e divertir-se mais.”

Aline Charane – Terapeuta e facilitadora de Constelações Familiares

Website: http://alinecharanem.com.br/

96 visualizações

NOSSAS REDES SOCIAIS

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

Contatos: