Sobre as Constelações Sistêmicas de Bert Hellinger na Saúde e na Vida.

Por Marcos Liboni.


Esta é uma comunicação para você, meu caro interlocutor de leitura, pessoa que, como eu, está no mínimo curiosa para ter mais informações e reflexões sobre o tema “Constelações Familiares” e a pessoa de Bert Hellinger, em especial na Saúde. E antecipo que a Constelação Familiar chegou para o deleite e o desfrute do Amor pela humanidade, e veio para ficar.


Neste panorama considero esta tarefa, solicitada a mim com muita doçura e expectativa por uma já atuante profissional do direito, onde este conhecimento já está se entronizando, uma tarefa ao mesmo tempo bastante difícil e desafiadora.


E é sobre o Ser que inicio esta reflexão entorno do que estou vivenciando na minha vida pessoal e profissional a partir do conhecimento (teórico e aplicado) do que o Mestre Bert trouxe para a humanidade. Na verdade estou ainda engatinhando no estudo deste conhecimento, mas estes últimos anos da minha vida tem tido um colorido muito especial pela presença de tudo o que as Constelações Familiares trouxeram e estão trazendo para mim e o meu entorno.


E está sendo neste “novo” universo de conhecimento que o Ser, já mencionado acima, está sendo para mim reescrito pelo que as Constelações Familiares estão me mostrando, porque garanto que não sou hoje um Ser somente, e sim um sou um Somos...


Mas permitam-me eu me apresentar. Sou Médico Psiquiatra, com formação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina, Especialista em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em São Paulo, Especialista em Bioética pela Universidade estadual de Londrina. Atualmente exerço função de Médico Psiquiatra em consultório Privado além de Professor de Psiquiatria e Bioética na Graduação em Medicina, Pós-graduação em Psiquiatria (Residência Médica) e Pós-Graduação strictu-sensu na Pós-graduação do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Londrina.


Ufa, creio que é bastante e sou muito eterna e enternecidamente grato por tudo o que esta trajetória me oportunizou (conhecimento, trabalho e sustento) e tenho certeza que ela oportunizou a me abrir para o que estou vivendo nas constelações familiares, conhecimento que, pelo menos aqui no Brasil, até o momento não está dentro da maioria dos meios acadêmicos, mas sim fora.


E aqui cabe uma primeira reflexão, a qual me faço diuturnamente, como isto chegou a mim e o que isto (constelações familiares) pode e está trazendo para a humanidade? Na verdade este conhecimento sempre esteve presente, mas não codificado como foi e está sendo por Bert Hellinger.


Para mim este conhecimento chegou inicialmente na forma de leitura sugerida por uma paciente de consultório onde 2 livros, Um Lugar para os Excluídos e as Ordens da Ajuda, ficaram “amadurecendo” na minha pequena biblioteca em meu consultório por um certo tempo (meses). Foi em uma viagem que me oportunizei a ler os mesmos, leitura que simplesmente me dragou a atenção por alguns dias e os livros acabaram simplesmente sendo devorados por mim.


E o porquê disto? Ao simplesmente ler Bert, em mim se ligaram vários pontos de conhecimentos e ideias que existiam (e muitas que não) de outras fontes de conhecimento que eu já vinha estudando e que, de certo modo, dialogavam entre si, mas de maneira bastante individual e separada por limites. Conhecimentos sobre a biologia, a psicologia, a sociologia, a filosofia, o comportamento humano, dimensões “exotéricas” de religiões e tradições filosóficas, tudo começou a se encaixar de modo emergente no meu raciocínio.


Mas o prazer e a alegria também vieram acompanhados de angústia uma vez que muitos conceitos, sobretudo de questões morais e éticas que vinha eu estudando e em contato, foram bastante questionados pela visão sistêmica das relações humanas descritas por Bert.

E então tive na minha mão um grande desafio: - seguir este caminho de conhecimento e expansão ou manter-me no meu já “complexo” caminho cotidiano? A minha curiosidade e outros componentes da minha personalidade não me permitiram ficar parado. Seguindo estes sentimentos foi que iniciei o caminho de estudar as Constelações Familiares pelo seu descobridor e ter o gigantesco prazer e satisfação de participar de círculos de estudos teóricos e práticos sobre este conhecimento.


E tenho feito isto, paralelamente ao meu trabalho como médico e professor, ao longo destes últimos anos. E tem sido bastante desafiador porque uma vez que as Constelações estão presentes na minha consciência não há como refletir a vida e a realidade, sobretudo do meu trabalho, apartada da óptica Constelativa. Para muitos com quem comento sobre os fundamentos dos conhecimentos das Constelações Familiares, em vários círculos da minha convivência, as reações tem sido diversas e muitas vezes um tanto incrédulas e considero isto natural.


É que estamos todos muito acostumados ao conhecimento, sobretudo nas áreas técnicas, construído sobre sólidas bases da ciência e seus paradigmas tradicionais como a pesquisa empírica e experimental, a busca das causalidades diretas, os métodos de reproducibilidade e universalidade dos métodos. E considero isto justo e natural, além de lugar comum de gigantescos avanços que tivemos, em especial nas áreas de saúde e medicina, ao longo das últimas décadas, mas as Constelações Familiares trazem algo novo e desafiador para este universo.


Isto porque, inicialmente, as Constelações Familiares não são um instrumento de trabalho, uma ferramenta, uma psicoterapia ou intervenção, termos usados hoje extensivamente por muitos, mas quando aplicados estes reduzem e até podem distorcer o que as Constelações são. As Constelações Familiares são um campo de conhecimento ampliado sobre a vida e a existência, uma visão Filosófica e ampla da existência, codificada por Bert Hellinger ao longo de anos de experiência, desde quando era Padre, passando a estudioso e terapeuta.


As Constelações Familiares versam sobre uma visão ampliada de como a relações humanas funcionam, de forma interligada e sistêmica, em um movimento onde o que cada pessoa vive crendo que a sua vida, as suas rotinas e destinos muitas vezes tem a ver com a sua construção pessoal e, a partir de certo ponto, de decisões autônomas e voluntárias, mas não, as nossas decisões e vontades são em grande extensão escolhas sistêmicas, de grupo. O que achamos que estamos fazendo por nós está na realidade alinhado com o sistema de onde viemos e vivemos.


E é evidente que tentamos descrever as Constelações a partir de conhecimentos teóricos prévios, sobretudo em áreas como a Filosofia, a antropologia, a psicologia e as religiões, uma vez que descrevemos o mundo que nos cerca a partir dos conhecimentos e aprendizados prévios, mas considero que Bert foi além. Ele foi além porque, através do seu método fenomenológico, trouxe à luz da vida humana dinâmicas de funcionamento de relações entre as pessoas de um determinado grupo, como a família, dinâmicas estas fundamentais a vida e a sobrevivência do grupo, cuja transgressão traz impactos para os componentes deste grupo, não só aqueles diretamente autores das ações, mas, sobretudo, por gerações de pessoas cujos destinos se mostram relacionados às dinâmicas originais mostradas nas constelações.


E é neste ponto onde a saúde obrigatoriamente é tomada pelo universo das Constelações Familiares. Dentro de um vasto repertório de vivências e exposições ao trabalho das Constelações Familiares, Bert Hellinger e muitos outros vêm mostrando ao mundo que muitas dimensões do viver, do sofrer, da doença e do morrer, têm relação com as dinâmicas constelativas da pessoa, ao longo da sua história.


É evidente que muitos que estão lendo estas palavras agora, estão bastante incrédulos com o que estou relatando, mas tenho bastante convicção que, ao menos, um olhar aberto a isto tudo merece. Digo isto primeiro por experiência prática. Falo em vários círculos que já experimentei várias terapias ao longo da minha trajetória e as Constelações, quando aplicadas a este olhar, me mostraram questões inimagináveis do meu processo de desenvolvimento psicológico pessoal e familiar além de, ao vivenciar na prática as Ordens do Amor (Direito ao Pertencimento, Respeito à Hierarquia e o Equilíbrio entre Dar e tomar), muitos “nós” (problemas, digamos) cotidianos se desfizeram na minha vida e no meu entorno.


Segundo porque, com todo o cuidado e sensibilidade, venho refletindo com pacientes, familiares e alunos as dimensões das Constelações e estas reflexões tem produzido muito efeito na forma das pessoas refletirem as suas atitudes e ações, de modo até prático.


Críticas aos pais, a exclusão de pessoas, o desrespeito ao lugar na família, o desequilíbrio de ações e atitudes, estes conceitos aparecem não só no cotidiano das pessoas com quem trabalho, mas também na sociedade em que vivemos, em escala global. E foi Bert Hellinger que brilhantemente canalizou isto na sua consciência e brindou a humanidade com este conhecimento.


Meus caros amigos leitores, em especial os profissionais de saúde e interessados, não há o que temer deste conhecimento e o que ele traz, é um verdadeiro presente para a humanidade, trazido à luz do conhecimento humano por um Ser cheio de Amor como o nosso querido Bert, e ampliado por tantos outros e tenho bastaste orgulho de estar em contato com isto. É evidente que este conhecimento vai se expandir e ganhar outras formas de autorreflexão e avaliação, mas o NOVO nos assusta. Mas quem na realidade de assusta é a Mente, que quer enxergar a realidade da forma como a construiu e constrói, mas ela faz parte de algo maior, que a contém e inclusive lhe dá energia e forma.


O conhecimento das Constelações Familiares traz ao mundo a percepção de que as relações do homem com seus semelhantes e com a natureza tem suas propriedades emergentes, muito longe de serem totalmente elucidadas, mas tenho muita convicção de que é uma visão mais ampliada e aprofundada do mais profundo AMOR que nos construiu, nos sustenta e nos dá força para construirmos a nossa trajetória na VIDA e no Universo.


Convido a todos que se inteirem mais desta maravilhosa Filosofia do Amor e do respeito que temos de ter não somente com nós, mas com o nosso passado, nossos antepassados e também (certamente) com as gerações futuras uma vez que temos em mãos algo que pode efetivamente trazer muita Paz, Saúde e Alegria para todos!


Com grande Amor, respeito e consideração despeço-me de vocês com a alegria no coração de que vamos nos encontrar logo.


Um afetuoso abraço,


Marcos Liboni.


Bom, apresento-me como Marcos Liboni, Médico Psiquiatra e Professor e aluno da 1ª turma de Formação Básica em avançada em Constelação Familiar pela Hellinger Schule/Faculdade Innovare no Brasil. Também tenho Formação em Constelação Individual pelo Instituto Vera Bassoi, de Sorocaba.

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