Buscar

UM OLHAR PARA AS MÃES...

Por Irinéia Meira.




Trago nesse relato uma vivência de constelação sistêmica realizada em 2018

Certo dia uma mãe de 36 anos, me procurou pra conversar e saber como a terapia sistêmica poderia ajudar sua filha de 13 anos. Essa adolescente passava por conflitos internos, muita agressividade na relação com a mãe e iniciando nas drogas.


Ao olhar pra mãe senti sua aflição, em como proceder com aquela filha. Percebi então que ao expressar a mãe apresentava uma dificuldade na fala. Como me chamou muita atenção, perguntei o que ocasionou aquela dificuldade.


Ela me explicou que quando era adolescente precisou fazer uma cirurgia na traqueia.


[A traqueia é um tubo vertical cilíndrico, cartilaginoso e membranoso, localizado entre a laringe e dois tubos curtos, os brônquios, fortalecido por anéis de cartilagem, que levam o ar inspirado até os pulmões.

O traqueostomia (ou estoma traqueal) é um procedimento cirúrgico realizado para possibilitar a entrada de oxigênio em situações em que a passagem de ar está obstruída. Para isso, é feita uma abertura (estoma) na parede da traqueia, que é mantida afastada por meio de um tubo de metal ou de plástico, chamado de cânula.]


Um pouco mais de conversa, pedi a mãe que viesse em um grupo de terapia pra realizar a sua constelação familiar. Ela concordou com a orientação. Uma semana depois o workshop vivencial aconteceu.


A mãe sentou-se ao meu lado, ansiosa e tremendo muito. Perguntei: Você tem mais filhos além daquela adolescente? Ela respondeu: Sim, Eu tenho um filho de 17 anos, aquela adolescente de 13 anos e estou grávida de 05 meses, mas esse eu vou entregar pra adoção.( murmúrio no grupo...) Eu disse ok.


O que você quer agora?


Ela chorava muito, não conseguia falar. Olhei em seus olhos e ficamos conectadas em silêncio por uns 4 minutos.


Pedi pra que ela escolhesse um representante pra ela, ela escolheu e então eu escolhi um representante para o bebê (que estava no ventre).


Foi lindo olhar o movimento sincronizado de mãe e filho no campo. Após um momento, a representante da mãe se virou dizendo que não queria olhar. A própria mãe me perguntou quem é? Eu não estou gostando disso. Eu não disse nada, prossegui...


Escolhi uma representante para a mãe da cliente e a coloquei diante dela. A mãe dela estava desnorteada, nervosa, tremendo... Eu perguntei, sua mãe é alcoólatra? Ela disse que sim. E quantos anos você tinha quando aconteceu? Ela disse: O quê? Eu repeti a pergunta: Quantos anos você tinha quando aconteceu? Ela muito atordoada, chorando copiosamente repetiu: o que você está falando?


Eu insisti, quantos anos você tinha quando sua mãe asfixiou sua irmãzinha?

Imediatamente a cliente com voz firme: “eu tinha 06 anos”. Coloquei um representante pra irmãzinha dela deitada de costas entre ela e a mãe. A representante da mãe enlouqueceu. A cliente olhou um pouco mais aquela cena e então me veio uma frase a qual pedi pra ela repetir: “Querida irmãzinha, todas as vezes que eu inspiro trago presente o seu desespero em minha traqueia!” Ela repete a frase soluçando...


Pedi pra ela olhar pra sua mãe e dizer: “Eu vejo sua dor mamãe! Deixo sua criança com você!” Ela diz a frase e respira profundamente.


Após uns instantes, coloquei representantes para os outros filhos da cliente e a virei para eles (filho de 17, filha de 13, bebê no ventre de 05 meses), ela foi até eles e os abraçou por um longo tempo.


Ela então se deu conta de que o representante inicial era seu bebê e disse sem orientação minha: “Eu cuido de você filho!”

Eu costumo dizer que MÃE não erra, faz o que dá conta.


Quando julgamos certos tipos de comportamento como certo ou errado e os associamos a papéis que nos são definidos pela natureza, corremos o risco de encarar os seres humanos como máquinas: esse funciona direito, esse não. É preciso maturidade emocional e abertura para poder enxergar todos como seres humanos.


MÂES, também são seres humanos comuns, dinâmicos e em constante processo de desenvolvimento, e que muitas vezes, abandonam seus filhos justamente por não se sentirem capazes de assumir esse papel.


O efeito da atitude de julgar a mãe pode ser devastador para a criança. Ela perde a conexão com a fonte criadora de sua vida. Os julgamentos externos também acabam influenciando a sua visão com relação à mãe. Ela pode ainda ficar com uma crença inconsciente de que se a mãe é ruim, ela também é. Isso pode ocasionar sentimentos de depressão, tristeza, inconformidade e carência.


"Julgar a própria mãe ou a mãe de outro ser pelos seus atos não traz nada de produtivo.

Ao tomar a Mãe como a fonte de nossa vida, com tudo o que flui através dela para nós, tomamos nossa própria existência. Na medida em que tomamos a nossa mãe, aceitamos nossa vida como um todo!" (Bert Hellinger)


Que nesse dia das mães, possamos colocar dentro do nosso coração, todas as mães que tiveram a coragem de dar à luz a um ser vivo, não importando a condição ou o contexto em que isso aconteceu. Esse é um dos caminhos para humanização de todos e para a paz interior de cada um.

Vivência realizada em grupo conduzida pela Terapeuta Irinéia Meira

www.irineiameira.com

Inatagram: @irineiameira

67 visualizações

NOSSAS REDES SOCIAIS

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram